Sem Comentário, transcrevo aqui artigo de Jeferson Mota, extraído do Blog Conversa Afiada.
Nestor Cerveró, um dos ex-diretores corruptos da Petrobrás, em depoimento prestado ao MP em outubro de 2015, revelou que o governo FHC recebeu 100 milhões de dólares de propina por negócios feitos na Argentina em 2002.
É perturbador lembrar que este mesmo depoimento do Cerveró, quando vazou naquela época, selecionou a parte que incriminava o governo Dilma, mas ocultou a revelação do esquema de corrupção implantado na Petrobrás pelo governo do PSDB.
Isto deixa clara a partidarização e a seletividade do vazamento.
Esta nova denúncia de propina no período dos governos tucanos foi desvendada de maneira acidental. A descoberta só foi possível porque cópia do depoimento de Cerveró ao MP, que teoricamente seria protegido por segredo de justiça, foi encontrada junto com os documentos apreendidos no escritório do senador Delcídio Amaral. É difícil saber se, não fosse esta circunstância acidental, algum dia o assunto viria à tona.
Como Delcídio conseguiu obter o depoimento de Cerveró é uma incógnita, e merece rigorosa apuração. E por que o senador, que foi diretor da Petrobrás nomeado por FHC no governo tucano, não denunciou as propinas pagas ao governo tucano, está longe de ser um mistério.
Ocultar um crime pode ser considerada uma ação tão grave quanto o crime cometido. É difícil acreditar que autoridades que dizem conduzir as investigações da Lava Jato com diligência e preciosismo processual, tenham prevaricado. O MP, a PF e os juízes coordenados por Sérgio Moro certamente dissiparão qualquer dúvida de que não agem com parcialidade e seletividade para incriminar os governos do PT.
É uma exigência democrática – e não só jurídica – que este crime não seja abafado pelo condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, como foram abafadas todas as denúncias anteriores que revelaram a origem da corrupção na Petrobrás nos governos do FHC e do PSDB.
Faria bem à democracia brasileira se nossa sociedade recebesse sinais claros das “autoridades justiceiras” que coordenam a Lava Jato – os procuradores do MP, os policiais da PF e os juízes do Judiciário – de que serão instalados inquéritos para apurar toda a corrupção do país, e não só a parte que convém politicamente apurar – justamente aquela que ataca adversários ideológicos.
Quando a Ordem Jurídica de um país é quebrada pelo casuísmo processual unicamente para perseguir inimigos, a República é derrotada, e então cede lugar a um “Regime”. Na Alemanha dos anos 1920 e 1930, o nacional-socialismo magnetizou a sociedade alemã com o Regime defensor dos ideais da raça pura, intolerante, odiosa, de olhos azuis, domiciliada em Higienópolis e adestrada na USP.
O Brasil, afinal, chegou ao século 21. Seria penoso regressarmos àqueles tempos arcaicos em que existia um Engavetador-Geral da República obediente ao Príncipe e sua corja; em que a Polícia Federal era desmantelada e adestrada para não investigar. Naqueles tempos, enfim, em que a Suprema Corte tinha a representação de um líder do governo do Príncipe.
Estreitar contatos com os amigos, dando-lhes notícias da atualidade e divulgar minhas produções literárias.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Notícias boas, não. “O quanto pior, melhor”, sim!
Conforme
se extrai do blog de PHA, o homem do “4º Poder”, livro que não se deve deixar
de ler para compreender todo esse FB “que assola o país", Conversa Afiada, de
hoje, um dia pós-“mini-festações”:
o PIG,
traduzindo, (para aqueles menos informados), a grande imprensa “Deu
em todas as manchetes que o IDH do Brasil caiu!”
Em
verdade, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país caiu (uma posição) de
74º para 75º no ranking dos países da ONU. Mas vejamos o que diz a EBC: “O
Brasil registrou melhora no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2014. Os
dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
mostram que o IDH passou de 0,752 em 2013 para 0,755 em 2014. Apesar do
aumento, o Brasil caiu uma posição no ranking mundial de desenvolvimento humano
[porque outro país
cresceu mais, logicamente] e passa a ocupar o 75º lugar
entre 188 países.”
E mais, “O
relatório mostra que, no Brasil, indicadores que representam melhorias sociais
tiveram avanço, como a esperança de vida ao nascer, que aumentou de 74.2 em
2013 para 74.5 em 2014, e a média de anos de estudo que passou de 7,4 para 7,7
nesse período.”
Mas,
mesmo assim, "Hoje, o IDH da Dilma e
do Lula é de 0,755 – maior do que o da China, da Índia, da África do Sul,
associados nos BRICs.",
ainda ressalta a EBC: “O
relatório mostra que, no Brasil, indicadores que representam melhorias sociais
tiveram avanço, como a esperança de vida ao nascer, que aumentou de 74.2 em
2013 para 74.5 em 2014, e a média de anos de estudo que passou de 7,4 para 7,7
nesse período.”
Estes
importantes detalhes não são “NOTÍCIAS” para a grande imprensa, afinal para o
real partido da oposição, como já se definiu uma “autoridade” de associação de
imprensa, (salvo engano, a ANJ) não interessa divulgar boas notícias, pois para
ela “o quanto pior melhor” é que vale.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Até Agora, Afinal Uma Atitude do Governo
Afinal, o governo toma
uma atitude objetiva e efetiva no sentido de conter a sanha
revanchista-golpista de um BANDIDO que ocupa a chefia de um dos poderes desta
sofrida república.
Somente o Supremo, se
cumprindo suas reais funções, poderá fazer com que a Constituição Brasileira
não seja vilipendiada em favor de mesquinhos interesses.
Jornal GGN – Ontem, sexta-feira (11), a presidente Dilma
Rousseff enviou ao STF um pedido de que seja anulada a decisão do presidente da
Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de acolher o processo de impeachment com
base nas pedaladas fiscais.
A justificativa é que Cunha não garantiu direito de
defesa da presidente antes de receber o pedido. "É ato tão grave e de
consequências tão significativas, que o princípio da ampla defesa e do
contraditório não se coaduna com a impossibilidade do presidente da República
se contrapor à denúncia antes da decisão do presidente da Câmara", diz o
texto.
Da Folha de S. Paulo
Por Márcio Falcão
A presidente Dilma Rousseff pediu, em manifestação
enviada nesta sexta (11) ao STF (Supremo Tribunal Federal), que o tribunal
anule a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDBRJ), que acolheu
seu pedido de afastamento elaborado por juristas e que tem como base as
chamadas pedaladas fiscais.
A justificativa é que Cunha não garantiu direito de
defesa da petista antes de receber o pedido. O documento, assinado pela
AdvocaciaGeral da União, defende ainda o poder de decisão do Senado na
instauração de um eventual processo de impeachment e que todas as votações no
Congresso sobre o caso sejam abertas.
"É ato tão grave e de consequências tão
significativas, que o princípio da ampla defesa e do contraditório não se
coaduna com a impossibilidade do presidente da República se contrapor à
denúncia antes da decisão do presidente da Câmara", diz o texto.
"Somente uma pessoa que vivesse em estado de
alienação acerca do que o país está a testemunhar nos últimos dias poderia
dizer que não traz nenhum prejuízo para o denunciado e para o próprio País a
decisão de recebimento da denúncia e a sua consequente leitura no plenário da
Câmara."
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
O BRASIL DE 2015 ASSEMELHA-SE À INGLATERRA DE 1965?
Conheci o inglês Tim participando de um programa sobre futebol na TV
fechada. Interessava-me ouvi-lo porque afinal teria, como tive, oportunidade de ouvir
opiniões sobre nosso futebol e, de um modo geral, do futebol sulamericano – e aqui
prá nós, nota-se claramente sua predileção pelo futebol argentino, mas deixemos
isso de lado.
Pois bem, e agora surpreende-me o britânico com sua opinião sobre
política, que segue abaixo e que vale a pena a transcrição. A resposta ao
título inquiridor desta postagem é a síntese do pensamento de Tim Vickery.
Acho que nasci com
alguma parte virada para a lua. Chegar ao mundo na Inglaterra em 1965 foi um
golpe e tanto de sorte. Que momento! The Rolling Stones cantavam I Can’t Get no
Satisfaction, mas a minha trilha sonora estava mais para uma música do The Who,
Anyway, Anyhow, Anywhere.
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.
Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.
Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.
Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.
Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).
É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).
Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.
Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.
Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.
Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.
No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.
Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.
Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.
No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.
A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".
Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.
*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick
Na minha infância, nossa família nunca teve carro ou telefone, e lembro a vida sem geladeira, televisão ou máquina de lavar. Mas eram apenas limitações, e não o medo e a pobreza que marcaram o início da vida dos meus pais.
Tive saúde e escolas dignas e de graça, um bairro novo e verde nos arredores de Londres, um apartamento com aluguel a preço popular – tudo fornecido pelo Estado. E tive oportunidades inéditas. Fui o primeiro da minha família a fazer faculdade, uma possibilidade além dos horizontes de gerações anteriores. E não era de graça. Melhor ainda, o Estado me bancava.
Olhando para trás, fica fácil identificar esse período como uma época de ouro. O curioso é que, quando lemos os jornais dessa época, a impressão é outra. Crise aqui, crise lá, turbulência econômica, política e de relações exteriores. Talvez isso revele um pouco a natureza do jornalismo, sempre procurando mazelas. É preciso dar um passo para trás das manchetes para ganhar perspectiva.
Será que, em parte, isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Não tenho dúvidas de que o país é hoje melhor do que quando cheguei aqui, 21 anos atrás. A estabilidade relativa da moeda, o acesso ao crédito, a ampliação das oportunidades e as manchetes de crise – tudo me faz lembrar um pouco da Inglaterra da minha infância.
Por lá, a arquitetura das novas oportunidades foi construída pelo governo do Partido Trabalhista nos anos depois da Segunda Guerra (1945-55). E o Partido Conservador governou nos primeiros anos da expansão do consumo popular (1955-64). Eles contavam com um primeiro-ministro hábil e carismático, Harold Macmillan, que, em 1957, inventou a frase emblemática da época: "nunca foi tão bom para você" ("you’ve never had it so good", em inglês).
É a versão britânica do "nunca antes na história desse país". Impressionante, por sinal, como o discurso de Macmillan trazia quase as mesmas palavras, comemorando um "estado de prosperidade como nunca tivemos na história deste país" ("a state of prosperity such as we have never had in the history of this country", em inglês).
Macmillan, "Supermac" na mídia, era inteligente o suficiente para saber que uma ação gera uma reação. Sentia na pele que setores da classe média, base de apoio principal de seu partido, ficaram incomodados com a ascensão popular.
Em 1958, em meio a greves e negociações com os sindicatos, notou "a raiva da classe média" e temeu uma "luta de classes". Quatro anos mais tarde, com o seu partido indo mal nas pesquisas, ele interpretou o desempenho como resultado da "revolta da classe média e da classe média baixa", que se ressentiam da intensa melhora das condições de vida dos mais pobres ou da chamada "classe trabalhadora" ("working class", em inglês) na Inglaterra.
Em outras palavras, parte da crise política que ele enfrentava foi vista como um protesto contra o próprio progresso que o país tinha alcançado entre os mais pobres.
Mais uma vez, eu faço a pergunta – será que isso também se aplica ao Brasil de 2015?
Alguns anos atrás, encontrei um conterrâneo em uma pousada no litoral carioca. Ele, já senhor de idade, trabalhava como corretor da bolsa de valores. Me contou que saiu da Inglaterra no início da década de 70, revoltado porque a classe operária estava ganhando demais.
No Brasil semifeudal, achou o seu paraíso. Cortei a conversa, com vontade de vomitar. Como ele podia achar que suas atividades valessem mais do que as de trabalhadores em setores menos "nobres"? Me despedi do elemento com a mesquinha esperança de que um assalto pudesse mudar sua maneira de pensar a distribuição de renda.
Mais tarde, de cabeça fria, tentei entender. Ele crescera em uma ordem social que estava sendo ameaçada, e fugiu para um lugar onde as suas ultrapassadas certezas continuavam intactas.
Agora, não preciso nem fazer a pergunta. Posso fazer uma afirmação. Essa história se aplica perfeitamente ao Brasil de 2015. Tem muita gente por aqui com sentimentos parecidos. No fim das contas, estamos falando de uma sociedade com uma noção muito enraizada de hierarquia, onde, de uma maneira ainda leve e superficial, a ordem social está passando por transformações. Óbvio que isso vai gerar uma reação.
No cenário atual, sobram motivos para protestar. Um Estado ineficiente, um modelo econômico míope sofrendo desgaste, burocracia insana, corrupção generalizada, incentivada por um sistema político onde governabilidade se negocia.
A revolta contra tudo isso se sente na onda de protestos. Mas tem um outro fator muito mais nocivo que inegavelmente também faz parte dos protestos: uma reação contra o progresso popular. Há vozes estridentes incomodadas com o fato de que, agora, tem que dividir certos espaços (aeroportos, faculdades) com pessoas de origem mais humilde. Firme e forte é a mentalidade do: "de que adianta ir a Paris para cruzar com o meu porteiro?".
Harold Macmillan, décadas atrás, teve que administrar o mesmo sentimento elitista de seus seguidores. Mas, apesar das manchetes alarmistas da época, foi mais fácil para ele. Há mais riscos e volatilidade neste lado do Atlântico. Uma crise prolongada ameaça, inclusive, anular algumas das conquistas dos últimos anos. Consumo não é tudo, mas tem seu valor. Sei por experiência própria que a primeira geladeira a gente nunca esquece.
*Tim Vickery é colunista da BBC Brasil e formado em História e Política pela Universidade de Warwick
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
A idade, a violência, o fim da Boemia
Vai uma crônica reeditada, para espairecer.
Estávamos, num certo dia, como
costumamos de vez em quando fazer, e de dia, (que no popular quer
dizer, durante o dia), a papear sobre diversos assuntos, quando se levantou a
tese do fim da boemia.
A tese deixou-me embaraçado e
pensativo, por que seu fim? O questionamento do meu interlocutor pareceu-me
mais uma preocupação de ordem particular, uma coisa bem pessoal; afinal ele,
como nós outros daquela confraria, já atravessamos o cabo da boa esperança, o
estreito de Ormuz (nada a ver com trânsito de grandes navios petroleiros que
abastecem, principalmente, os mercados norte-americano e europeu), e outros
obstáculos mais. Até que eu concordaria se, como já disse, levarmos
simplesmente para o plano pessoal, o particular. Mas Boemia (é com maiúscula
mesmo!), é, tal qual é a prostituição, no que respeita à profissão, a mais
antiga e eterna parceira da manifestação humana da arte, do lazer, do
entretenimento. Sem a boemia, não teriam existido os(as) literatos(as), os(as)
grandes artistas gráficos(as), os músicos, os compositores - vou deixar de usar
os (as), pois já deixei claro minha intenção de não discriminar as mulheres,
afinal, para nós homens, que me desculpem os gays, é a chama do fogo
ardente de uma paixão: mulher, paixão... e, com isto, está criada a boemia.
Agora, querendo finalizar, ou sair deste devaneio, deste gostoso retrocesso
cronológico, volto a dizer, Boemia é a mais antiga forma de manifestação
cultural e de entretenimento do homem (e da mulher também, alguma questão?);
afinal, desde que há inscrições ruprestres, alguma forma de fermentado e
outras cositas más, deve existir a Boemia.
Bem, voltemos ao nosso tempo e nossa
realidade. Como havia entendido logo, logo, o nosso amigo quis referir-se a
nós, à nossa contemporaneidade. Desta maneira, não há que se contestar coisa
alguma, o fim da Boemia, para nós, é fato. Pô, também, meu Rei, a
eternindade existe para o homem, enquanto instituição humana. Para nós, simples
mortais, assim como quase tudo, (digo isto para não melindrar os que acreditam
na vida depois da morte), tem fim; afinal, originamos de uma centelha, chegamos
ao auge de uma grande e duradoura, embora finita, chama que, em determinado
instante, entra num processo de dissipação, somente esta verdade já seria
bastante para explicar a constatação do nosso amigo. Mas há fatores outros, bem
contemporâneos para nos desestimular, nos desencorajar, para nos atemorizar,
para nos afugentar, para afugentar o nosso espírito notívago (e aí mora a
essência do questionamento do meu interlocutor: vida noturna, a noite é criança.). O ar
provinciano, doméstico que respirávamos na Salvador dos 60-70¹s e, quem sabe,
até os 80¹s, não mais existe. Transitávamos por aquelas vielas, becos,
ladeiras, de todo o centro histórico, pela Cidade Baixa: Comércio, Bonfim,
Ribeira, com a mais da desavergonhada tranquilidade; entrávamos e saíamos de
bar em bar, como se extensão fosse de propriedade nossa: o feijão de Alaíde, o
feijão de Vital, os inferninhos, o charriot (hoje, o plano
inclinado), a Rua Chile, Avenida Sete (elas com configurações bem diferentes
das de agora)...as barracas de praias - faziam-se devaneios até as altas horas-
e elas foram derrubadas! (a troco de que?); a Barraca de Da. Sildefina, (atrás
do C. Português); a Barraca de Nogueira, em Itapuã. Que é do Clube Português e
seu baile a Yemanjá?; do velho Caneco? (Nos seus áureos tempos, somente
servia chopp, [nada de cerveja em garrafa ou, pior, em lata] e bem
gelado; bigode ao gosto do frequês); o feijão do Quatro Rodas (prá
aqueles que não sabem, quatro rodas vem de um restaurante instalado numa velha kombi
ou num caminhão); os bailes de carnavais nos clubes sociais (ao que parece
somente subsistiram a Associação Atlética (parcialmente) e o Iate Clube (mas
quem podia ou pode acessar aquela intransponível fortaleza da elite baiana -
fiquemos somente neste termo. (As barracas de praia teriam invadido terreno da
União, da Marinha, mas o Iate Clube, não!, assim como um portentoso
hotel no Rio Vermelho, construído sobre as pedras do lindo mar da Bahia) e, o
pior de tudo, a grande vilã, a violência urbana. Sim, dirão, mas sempre
houve violência, sempre se roubou, sempre se matou, contudo a intensidade e
frequência com que se assalta, se mata, se infringe; com que se banaliza o
homicídio, a extinção de uma vida humana é incomparável com qualquer época
anterior.
Amigo, a materialização da Boemia
acabou para nós e, assim como, dizem, o Espírito é eterno, o nosso espírito
boêmio ainda vive, vivinho da silva, dentro de nós.
Vivamos com ele na maneira e no tempo em que nos permitirem, sem que seja preciso pedir, com súplica, "regresso", sem precisar pedir "inscrição", como fez um boêmio em sua volta à boemia.
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
A TÍTULO DE COMPARAÇÃO
Sendo admirador
do zagueiro Wallace, desde os tempos de Divisão de Base do Vitória, (escusado
dizer que sou torcedor do Leão), e, especialmente, por seu crescimento no plano
profissional e, ainda, por se tratar de uma das lideranças do nosso futebol, sabendo de
sua participação num programa de televisão, não poderia perder a oportunidade
de ouvir o que aquela personalidade teria a falar, já que nas entrevistas
corriqueiras notabiliza-se, claramente, dentre os jogadores de futebol.. E, notadamente,
esta distinção origina-se no fato de Wallace ser um grande “devorador” de
livros. Lê todo tipo de livro e de autor. E gosta tanto de livros que tem usado
as redes sociais para difundir o gosto pela leitura entre as crianças. E,
diga-se, já tem forte “fã-clube”, neste particular. Louvável atitude!
Pois bem, o
programa desenvolveu-se em alto nível, superando, em muito, a expectativa que
eu fizera quanto ao referido profissional da bola.
Ao final, no
entanto, perguntado sobre a conjuntura política atual, posicionou-se tal qual a
massa que é formada pela “opinião publicada” da grande imprensa, que
diuturnamente vive a “bater” nos governos do PT e no próprio PT. A difamatória,
a sórdida campanha é a mesma que levou Getúlio Vargas ao suicídio (em 1954); tentou
derrubar Juscelino Kubstichek (“revolta” articulada desde 1956 e eclodida em
1959); derrubou o presidente João Goulart (1964), o que fez submeter o país às
trevas por mais de duas décadas.
São as históricas reações a governos que têm a
direção no social, por mínima que seja. Reações dos dominantes, dos oligarcas e
seus asseclas, que teimam em recusar novos tempos (veja-se a comparação entre
os governos: o anterior e os dos trabalhistas)..
E é a infame
campanha calcada nos pilares: Descrédito do governo (“não fez nada em 12 anos” –
palavras de Wallace, com ressalva para o “Bolsa Família”, mas como batem no
referido programa social!); “Perpetuação” no poder (samba de uma nota só:
discurso do candidato derrotado). Não concorda que se fique tanto tempo no governo
(entretanto, o partido dele teria planos para ficar por 20 anos) e Corrupção –
bem esse pilar não foi apontado, faça-se justiça a Wallace. Quanto a isto,
querem impor a noção de que “nunca se roubou tanto”. Será?
”...Para tal, o governo FHC contou com a cumplicidade do
procurador-geral da República, Geraldo
Brindeiros, que ficou conhecido como “engavetador-geral
da República”.Brindeiros engavetou
todas as denúncias de corrupção no governo FHC. FHC governou
o país entre 1995/2002 e, para se prevenir contra a investigação após deixar o
governo, antes de sair FHC conseguiu
aprovar a lei que o blindou de investigação.”. (do Blog do Bob).
Nunca se apurou tanto, como
na atualidade. Esta é a verdade.
Gostaria, com todo o respeito ao zagueiro rubro-negro (não corro
risco de bater de frente com a galera do Flamengo), de lhe rogar que dedique um
pouco do seu tempo de leitura à História contemporânea do nosso país; ao acesso
à imprensa alternativa, (“imprensa nanica”), para que possa fazer comparações e
tenha uma compreensão da atual conjuntura política de uma maneira descontaminada.
Por exemplo, vou transcrever algumas coisas interessantes obtidas
em “mídia” alternativa.
“A presidenta Dilma Rousseff participou nesta
quinta-feira (05) da inauguração do terceiro trecho do Canal do Sertão, em
Alagoas. A obra vai levar água do Rio São Francisco para mais de 60 mil pessoas
e minimizar os efeitos da seca na região”.
“Nada mais solidário do que a água para
180 mil habitantes” [disse a Presidenta].
(do Blog
Conversa Afiada).
(O jornal nacional, a revista semanal da abril e da globo vão
noticiar?).
Seguem algumas comparações que desmentem incontestavelmente a
ladainha “não fez nada”.
Comparando o Brasil de 2002 ao de 2013… segundo a
OMS, a ONU, o Banco Mundial, o IBGE, o Unicef etc…
1. Produto Interno Bruto:
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
[a soma de tudo produzido no país
cresceu mais de três vezes]
2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil [isto indica, a grosso modo, uma melhor distribuição de renda]
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil [isto indica, a grosso modo, uma melhor distribuição de renda]
3. Dívida líquida do
setor público:
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB [produziu-se mais e deve-se menos, em relação ao PIB]
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB [produziu-se mais e deve-se menos, em relação ao PIB]
10. Reservas
Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares [em 2013, havia “guardada” uma quantidade de mais de dez vezes em dólares, em relação a 2002]
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares [em 2013, havia “guardada” uma quantidade de mais de dez vezes em dólares, em relação a 2002]
12. Empregos Gerados:
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano [número de gente empregada foi mais que duplicada]
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano [número de gente empregada foi mais que duplicada]
14. Valor de Mercado
da Petrobras:
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões [“pobre” da Cia. tão atacada pelos corruptos, oposição e justiça]
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões [“pobre” da Cia. tão atacada pelos corruptos, oposição e justiça]
15. Lucro médio da
Petrobras:
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano [mais que quintuplicado o lucro!]
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano [mais que quintuplicado o lucro!]
18. Dívida Externa em Relação às
Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81% [nos idos de 2002, o país DEVIA mais que seis vezes do que possuía de reservas. O FMI “deitava e rolava”, que nem Jerome Walcker – da quadrilha da FIFA]
2002 – 557%
2014 – 81% [nos idos de 2002, o país DEVIA mais que seis vezes do que possuía de reservas. O FMI “deitava e rolava”, que nem Jerome Walcker – da quadrilha da FIFA]
19. Posição entre as
Economias do Mundo:
2002 – 13ª
2014 – 7ª [é bom ou quer mais?]
2002 – 13ª
2014 – 7ª [é bom ou quer mais?]
20. PROUNI – 1,2 milhões de
bolsas
21. Salário Mínimo
Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00 [o S.M. foi valorizado mais que quatro vezes!]
2002 – 86,21
2014 – 305,00 [o S.M. foi valorizado mais que quatro vezes!]
22. Passagens Aéreas
Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões [isso está incomodando a elite! “os aeroportos parecem rodoviárias!”]
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões [isso está incomodando a elite! “os aeroportos parecem rodoviárias!”]
23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares [produtos exportados cresceram mais que quatro vezes]
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares [produtos exportados cresceram mais que quatro vezes]
24. Inflação Anual
Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%
35. Criação de Universidades Federais:
Governos Lula e Dilma – 18
Governo FHC – zero [o governo do sociólogo, do intelectual nada fez, enquanto o analfabeto...]
Governos Lula e Dilma – 18
Governo FHC – zero [o governo do sociólogo, do intelectual nada fez, enquanto o analfabeto...]
36. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma – 214
Governo FHC – 0 [o intelectual da Sorbone, não gosta mesmo de educação! Em menos de 12 anos os governos trabalhistas fizeram mais de duas centenas!]
De 1500 até 1994 – 140 [que dado espetacular! Desde Cabral até fhc (mais de quinhentos(!) anos, somente uma centena de escolas técnicas]
Governos Lula e Dilma – 214
Governo FHC – 0 [o intelectual da Sorbone, não gosta mesmo de educação! Em menos de 12 anos os governos trabalhistas fizeram mais de duas centenas!]
De 1500 até 1994 – 140 [que dado espetacular! Desde Cabral até fhc (mais de quinhentos(!) anos, somente uma centena de escolas técnicas]
37. Desigualdade Social:
Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4% [em mais que cinco vezes, a desigualdade social foi reduzida]
Governo FHC – Queda de 2,2%
Governo PT – Queda de 11,4% [em mais que cinco vezes, a desigualdade social foi reduzida]
38. Produtividade:
Governo FHC – Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2% [o analfabeto e a guerrilheira ensinando produtividade]
Governo FHC – Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma – Aumento de 13,2% [o analfabeto e a guerrilheira ensinando produtividade]
39. Taxa de Pobreza:
2002 – 34%
2012 – 15% [mais de 30% de pobreza, com fhc e bem abaixo de 20% com os governos trabalhistas]
2002 – 34%
2012 – 15% [mais de 30% de pobreza, com fhc e bem abaixo de 20% com os governos trabalhistas]
40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 – 15%
2012 – 5,2% [reduzida a Pobreza em cerca de 2/3]
2003 – 15%
2012 – 5,2% [reduzida a Pobreza em cerca de 2/3]
41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 – 0,669
2005 – 0,699
2012 – 0,730 [quanto mais próximo de 1, melhor é o índice, que varia de 0 a 1. Portanto,um milésimo (0,001) muito representa. E o IDH nosso cresceu cerca de dez vezes]
2000 – 0,669
2005 – 0,699
2012 – 0,730 [quanto mais próximo de 1, melhor é o índice, que varia de 0 a 1. Portanto,um milésimo (0,001) muito representa. E o IDH nosso cresceu cerca de dez vezes]
42. Mortalidade Infantil:
2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos [quase que duas vezes mais, morriam crianças, no governo fhc]
2002 – 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 – 12,9 em 1000 nascidos vivos [quase que duas vezes mais, morriam crianças, no governo fhc]
43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 – R$ 28 bilhões
2013 – R$ 106 bilhões [recursos com Saúde Pública foram mais que triplicados]
2002 – R$ 28 bilhões
2013 – R$ 106 bilhões [recursos com Saúde Pública foram mais que triplicados]
44. Gastos Públicos em Educação:
2002 – R$ 17 bilhões
2013 – R$ 94 bilhões [Que surra!]
2002 – R$ 17 bilhões
2013 – R$ 94 bilhões [Que surra!]
45. Estudantes no Ensino Superior:
2003 – 583.800
2012 – 1.087.400 [em 2012, havia mais do que 80% de jovens no ensino superior do que em 2003, ainda herança maldita de fhc]
2003 – 583.800
2012 – 1.087.400 [em 2012, havia mais do que 80% de jovens no ensino superior do que em 2003, ainda herança maldita de fhc]
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
UM DIA NUMA CLÍNICA MÉDICA
Começo com um título erradamente
designado. Passar um dia inteiro numa
clínica, quem aguenta?
O cenário próprio de uma clínica já
é deveras constrangedor, especialmente para aqueles que vão e estão à espera de,
ainda que imaginariamente, um diagnóstico cruel. No plano do entretenimento, da
“cultura” e das “artes”, quantidades bondosas (?!!!) de exemplares de uma
nauseabunda (argh!) revista semanal e uma ou várias telas de TV em que se apresentam
um tão falador “louro” quanto submisso a uma “loura pirua”, apresentadora,
compõem a paisagem. O demais, faz-se das pessoas; das atendentes e seus
indefectíveis chamados: “Senhor ou senhora fulano ou fulana de tal”, mesmo que
se trata de um criança e das outras pessoas, aliás pacientes. Seu entra e sai;
suas idiossincrasias; suas atitudes muitas das vezes, de impaciência, de
contestação. Como, por exemplo, a “paciente” que chegara atrasada e já estava há
mais de duas horas sem que fosse atendida:
“...somente quinze, nem quinze
minutos, atrasada! que absurdo! Que falta de consideração! Poderiam me chamar
num desses intervalos e vejam que ainda eu iria para o Centro Administrativo
trabalhar!”
(Já se vê
que se trata de uma zelosa funcionária pública, mas não uma barbané –
consultar, por favor, o Aurélio – qualquer).
Em outras
oportunidades, conversas sobre amenidades, mas também sobre coisas sérias, sim!
Numa conversa, entre um senhor e uma senhora, integrantes da faixa etária dos “enta”,
primo e prima que não se encontravam havia algum tempo, passaram a falar do
país.
“Ah! ninguém aguenta viver aqui,
não! Olha pergunto sempre a minha filha: quando é que você vai voltar?”
“Mamãe, cada vez que leio as
notícias daí, mais eu tenho vontade de ficar aqui. Sabe? Um furto numa farmácia
aqui é notícia em jornal, imagine!”.
O primo não
deixou por menos ao falar sobre filhos seus que se encontram no esplêndido primeiro
mundo, no eldorado das “zelites” brasileiras. A propósito, um dos filhos de
Roberto Marinho está de mudança para Miame. Sorry,
periferia.
Toda a
conversação foi captada sem que se necessitasse de uma maior atenção, em
decorrência dos sons em altos decibéis emitidos do parlatório.
Sobre esse
complexo de vira-latas, (êpa já estou saindo da clínica), vejam o que diz o britânico Adam Smith, blogueiro da série "Para
Inglês Ver", da BBC Brasii:
“os brasileiros exageram na rejeição
ao seu próprio país e também se diminuem em relação a países desenvolvidos,
notadamente os Estados Unidos...
processo [refere-se ele ao “complexo
de vira-latas”, para complexo de inferioridade do brasileiro, alcunhado por
Nelson Rodrigues – nota de Mário César] que parece estrangular a identidade brasileira... Pode
ser sentido na comida. Neste "país tropical" tão fértil e com tantos
produtos maravilhosos, é mais fácil achar hot dog e hambúrguer do que tapioca
nas ruas. Pode ser ouvido na música americana que toca nos carros, lojas e
bares no berço do Samba e da Bossa Nova...
O Brasil está
passando por um período difícil e, para muitos brasileiros com quem falei sobre
os problemas, a solução ideal seria ir embora, abandonar este país para viver
um idealizado sonho americano. Acho esta solução deprimente. Não tenho remédio
para os problemas do Brasil, obviamente, mas não consigo me desfazer da
impressão de que, talvez, se os brasileiros tivessem um pouco mais orgulho da
própria identidade, este país ficaria ainda mais incrível. Se há insatisfação,
não faz mais sentido tentar melhorar o sistema?”
Pois bem,
somente acessando blogues, revistas,
jornais alternativos é que podemos ter outra compreensão do país. Enquanto ficar
a se informar somente pelos representantes da grande imprensa obter-se-á tão
somente o quadro que ela, a grande imprensa, o verdadeiro partido de oposição,
pinta para o “quanto pior melhor”.
P.S.: as
palavras do blogueiro britânico foram
extraídas do Blog de Luis Nassif.
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