quarta-feira, 23 de maio de 2012

O LIBERALISMO DE JABUTICABA


Ao assistir hoje, 23/05, o jornal “bom dia brasil” da tv lobo e ouvir análise de míriam porcão, BINGOU! Agora acharam em que bater: ”o endividamento das famílias brasileiras”. Mas olhem só, a emissora de tv preocupada com o endividamento da pobre família brasileira.
Muito bem, ao acessar o Blog de Luis Nassif, encontro esta pérola de texto, extraído da COLUNA ECONÔMICA, que diz tudo o que eu gostaria de dizer e de uma forma cristalina. Vai direto na ferida. Vejamos o texto:

Coluna Econômica - 23/05/2012

Há anos, por seu alcance, o sistema Globo tornou-se a principal influência na opinião pública, inclusive em questões econômicas. TV Globo, Globonews, CBN, jornal O Globo, portal G1, constituem-se na mais formidável caixa de irradiação de opiniões no país.

Por isso mesmo, é um bom laboratório para se analisar como se formam consensos, especialmente em temas ligados ao mercado e à economia.

Em geral, o discurso assenta-se em bordões de fácil assimilação que, pela repetição, vulgarizam-se, podendo ser repetidos desde executivos com pouca formação econômica até papos de boteco. Paradoxalmente, essa banalização de conceitos responde pela extrema superficialidade da análise e, ao mesmo tempo, por sua enorme eficácia.

Até agosto do ano passado, esse discurso mercadista era facilitado pelo sofisma da prioridade única. Todas as análises tinham como mote a inflação. Justificava-se qualquer nível de taxa de juros porque era anti-inflação. Criticava-se qualquer redução da Selic, por mínima que fosse, por acirrar a inflação.

Não havia a menor necessidade de pensar. Baixou a taxa, imediatamente rebimbava o coro anti-inflação. Aumentou em percentuais ínfimos gastos sociais, acordava o coro contra a gastança.

Quando, em fins de agosto passado, o Banco Central reduziu a Selic e a inflação continuou caindo, o discurso desmoronou. Seria preciso refazer o discurso, recriar bordões. E aí o sistema deu tilt.

Por exemplo, a boa análise econômica sabe que não é possível desenvolvimento sustentável sem dois eixos bem azeitados: consumo e investimento.

Primeiro, trata-se de montar o mercado - o interno, através da ampliação da base de consumo, e o externo, através de instrumentos de apoio à exportação.

Dado o mercado, garantir o investimento, através de ferramentas fiscais, financeiras e cambiais.

Cria-se o mercado interno. Estimula-se o investimento na produção. Amplia-se a capacidade produtiva do país, geram-se empregos mais qualificados e, por conseguinte, mais consumidores, completando o ciclo virtuoso do crescimento.

Sem o investimento, esse crescimento será apropriado pelo produto importado até o limite do estrangulamento externo. Não se completaria o ciclo. Mas não se investe sem dispor de um mercado de consumo em expansão.

No entanto, anos de defesa de juros altos criaram um pensamento anti-crescimento irracional – que é repetido de cabo a cabo por todo aparato midiático das Organizações Globo.

Ontem, as medidas de redução do custo do financiamento foram taxadas de temerárias por induzir o consumidor ao “endividamento irresponsável”.

Ora, o discurso econômico das Organizações é fundamentalmente neoliberal.

É princípio elementar do liberalismo o pleno direito de opção ao consumidor, ao investidor, à empresa. Ao Estado compete apenas criar condições adequadas, sem pretender tutelar os agentes econômicos.

Na hora de criar o bordão, esquece-se o livre arbítrio do consumidor, as ferramentas de análise de crédito dos bancos, o monitoramento da inadimplência pelo Banco Central, o fato do financiamento de automóvel ser garantido pelo próprio veículo, aspectos técnicos e conceituais.

Em Wall Street – onde esse pessoal se espelha -, seria motivo de chacota.


terça-feira, 22 de maio de 2012

A ARENGA DAS SACOLAS PLÁSTICAS

Há muito que venho questionando e chego a ser chato, até, quando se trata da falta de embaladores nos caixas dos supermercados. Digo sempre que nem uma agulha, sequer, que eu compre, eu próprio não a embalarei. E digo mais, vaticino que, num futuro que não está muito distante, nós, consumidores, seremos obrigados a pagar para acessar loja de supermercado a fim de fazer compras. E, agora, eles dão mais um grande passo na direção do supermercado do futuro. As sacolas, pobres sacolas plásticas, “poluidoras do meio ambiente” não mais serão, (pelo menos assim já é no sul maravilha e o que falta para o baiano, o paraíba, acompanhar?), distribuídas gratuitamente(?!!). Gratuitamente, não, mas à venda poderão poluir tranquilamente o planeta, ora bolas.

Conheçamos o artigo que extraí do Blog de Luis Nassif sobre este assunto.
A arenga das sacolas retornáveis, um dos frequentes pequenos flagelos que envenenam a vida dos brasileiros, é exemplo emblemático da arrogância de uma classe média ignorante e autoritária que, por se presumir detentora da “Verdade”, acha-se no direito de impor tal "verdade" ao muitas vezes desavisado cidadão comum. Querem, como dizem, "mudar o hábito” das pessoas para ajustá-las à "verdade" deles (algo semelhante ao que fez a Zélia Cardoso quando confiscou na mão grande a poupança de todo mundo).

Agora, os “iluminados” decidiram entre eles que os supermercados ficam proibidos de distribuir gratuitamente sacolinhas plásticas aos consumidores, embora possam vendê-las! Contaram, para perpetração do despautério, com a colaboração de políticos paulistas num conluio deletério de ignorantes que acham que conhecem o tema poluição (qualquer criança sabe que distribuição gratuita de sacolinha não causa poluição) com políticos oportunistas que buscam holofotes.

São Paulo, infelizmente, é hoje polo reacionário no Brasil – basta considerar os políticos que ostenta e eventos como o de Pinheirinhos –, e, por isto, não surpreende que iniciativas que impõem restrições aos cidadãos comuns surjam quase sempre nesse estado. O que surpreende é a passividade dos paulistas em geral que, ao invés de se insurgirem contra os abusos, os apoiam, talvez por acreditarem no discurso pretensamente científico da classe média estudada (aliás, mal formada), e que se põe como bedel do povo. É lamentável que o povo paulista se deprecie desta forma.

Hélio Mattar, do Instituto Arakatu (que nome mais estrambólico!), é defensor da proibição da distribuição gratuita das sacolinhas, mas não tem qualquer objeção a que sejam vendidas pelos supermercados. Foi o que disse em recente programa veiculado pela Globo News, "Cidades e Soluções". Argumentou em favor do absurdo que assim “levanta-se a discussão”! Ah, e diz que os supermercados, com a economia que farão deixando de distribuir sacolinhas gratuitamente, diminuirão, voluntariamente, os preços dos demais produtos! Epa! Já ouvi isto quando esta mesma turma acabou com a CPMF. É inacreditável, mas o sujeito disse isto, e ainda acha que, assim, conseguirá simpatizantes para sua cruzada estulta.

Hélio Mattar é o ignorante voluntarista que pensa que sua verdade é a Verdade. É sujeito avesso à democracia que quer “ensinar” ao povo, lançando mão de soluções psicodélicas como esta das sacolinhas: dar não pode, vender pode. Sua arrogância não lhe deixa ver o ridículo de suas teses absurdas e vazias. Gente como ele, no afã de parecer importante, aporrinha as pessoas como fazem os mosquitos. É preciso acabar com os criadouros onde essa gente prolifera, e tal se faz com choque de democracia.

Não há meia democracia. A história da sacolinha, um atentado à democracia, é mais um passo na dessensibilização da população em relação a ações autoritárias, e precisa ser combatida energicamente. São atentados como este que vão preparando terreno para subsequentes agressões gratuitas ao povo, supressão de direitos individuais e políticos, e golpes de Estado. O povo paulistano precisa reagir, pois, no momento, é o agredido

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Arena Fonte Nova


Aqui, em pleno engarrafamento na “7 Portas”, começo a escrever sobre o encontro recente dos “mininos”. Ivan me ligou: “...Reginaldo quer que almocemos juntos amanhã”. Passado algum tempo, Da. Zete liga dizendo que estão no trânsito engarrafado e Ivan pede que eu faça os devidos contatos para a convocação da confraria e assim foi feito. Intercorrentemente, surgiu-me a idéia de aproveitar aquele encontro para conhecermos as obras da Arena Fonte Nova. Reunimo-nos na Fonte Nova e, por sugestão de Renato, após a visitação à arena rumamos para um boteco no Santo Antônio, o boteco de Ulisses. Eu, Ivan, Orlando, Arlindo, Reginaldo e Renato bebericamos; saboreamos petiscos do boteco; almoçamos e, como não podia deixar de acontecer, o gostoso bate-papo variou sobre assuntos diversos, principalmente as boas lembranças do nosso passado comum, e estendeu-se até as tantas, como soe acontecer. Acho, e os demais devem concordar, que foi um momento de deleite.  

Bem, cheguei à Arena, os outros não haviam chegado, e percorri as instalações permitidas. Vê-se logo o Bahia de 59 e 88. O que me fez voltar aos idos da velha Fonte Nova; da Fonte Nova “invadida” por nós (gosado! bastava a travessia por uma cerca de aramado farpado, uma carreirinha para “ganhar” dos vigias e estávamos nas arquibancadas do velho estádio (sem o lance superior de arquibancadas), prontos para a “correria”, como se diz hoje em dia, na venda de refrigerantes e cervejas aos espectadores, sem perder o foco do futebol, quando esse era  interessante. Ah! Ao fim da jornada, era uma festa. Voltávamos para casa com os bolsos cheios e jantávamos fartamente, refeição essa acompanhada de refrigerantes (o que era um luxo) e com o fruto financeiro daquele trabalho que era entregue a

Da. Antonia, que teria muito o que fazer, durante a semana que se iniciava, com a grana. Também, devo registrar o material existente sobre o Vitória e interessante, ao tempo em que é lamentável, nada mais sobre outros clubes baianos que fizeram a história do futebol daquela saudosa praça esportiva. É exibido para os visitantes um vídeo que mostra toda a preparação para a obra; suas fases já executadas e o que poderá representar o empreendimento para impulsionar o desenvolvimento de uma área tão importante para a nossa cidade que é a que envolve Fonte Nova, Campo da Pólvora, Nazaré e todo o centro histórico. Ainda no vídeo é ressaltado a preocupação dos empreendedores com os moradores de rua, havendo depoimentos de alguns dos muitos que foram inseridos no mercado de trabalho, através do projeto e um detalhe, também, com a reciclagem: muito do que se obteve com a demolição do velho estádio foi reaproveitado na construção do novo e o fardamento dos mais de dois mil trabalhadores usados na construção, que é substituído de três em três meses, é doado a um projeto social que o reutiliza como matéria prima para atividades artesanais, com obtenção de renda para os artesãos. Antes desta visita já havia lido, ouvido entrevistas, etc. sobre a Arena Fonte Nova e fiquei e estou empolgado com a possibilidade de um sucesso que beneficie a cidade como um todo e especialmente a população carente que está no seu perímetro. Deixo para outros o pessimismo, a vontade de que tudo dê errado, que vai haver roubalheira, etc.


























































































































quinta-feira, 17 de maio de 2012

O CASO CACHOEIRA3


Vejam vocês como esta imprensa, que se diz livre, age. Foca-se tão somente em seus interesses, em suas retrógradas ideologias; ideologias do atraso, da dominação, da exploração, da concentração incontrolável da renda... Motivo bem análogo deu origem, há tempos atrás, à demissão de Boechat (de quem não morro de amores) da organização LOBO. Agora, maio de 2012, é razão para aquela organização arvorar-se a defensora de um importante membro da revista ÓIA no seu suspeito relacionamento com o bicheiro aprisionado e com o puro senador desmascarado.

Vejamos, portanto, o que nos diz o texto a seguir retirado do blog de Nassif

Os valores éticos da Globo mudaram?

na CartaCapital, via Conversa Afiada e Julio Cesar Macedo Amorim

Como se sabe, o jornal O Globo publicou um comovente editorial em defesa de Roberto Civita, dono da editora Abril. Em matéria de delírio, o diário carioca da família Marinho só foi superado pela própria Veja de Civita, que neste fim de semana conseguiu unir em um mesmo texto aranhas, robôs e comunistas. Parecia um roteiro de terror B. Já o editorial de O Globo recorria ao surrado bordão imprensa chapa-branca vs. imprensa livre (livre de quem?) e tentava ressuscitar um animal extinto, os radicais do PT.

Em resumo: O Globo não viu nada de grave nas relações de Policarpo Jr., diretor da sucursal de Brasília de Veja, com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. E afirmou existir uma “campanha” contra a revista dos Civita.
Outros tempos. Em 2001, a família Marinho demitiu sem pestanejar o jornalista Ricardo Boechat por considerar impróprias suas relações com uma fonte.
Boechat era um profissional celebrado e em ascensão nas Organizações Globo. Editava no jornal uma coluna de notas políticas e econômicas de muito prestígio e fazia comentários na tevê do grupo. Grampos atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, que disputava o controle de duas operadoras de telefonia com os canadenses da TIW, foram publicados pela Veja (coincidência!!!). Em alguns deles, Boechat conversa com Paulo Marinho, assessor do empresário Nelson Tanure, representante dos canadenses na disputa contra Dantas e dono do Jornal do Brasil.

A reportagem de Veja à época descreve: “Em um dos diálogos, ocorrido em 15 de abril, Boechat conta a (Paulo) Marinho os termos da reportagem que está escrevendo para revelar manobras do Opportunity e que seria publicada no dia seguinte em O Globo. Pela conversa, fica evidente que a direção do jornal não foi informada sobre o grau de ligação do jornalista com Nelson Tanure…” E por aí vai. Neste caso, Veja, ao acusar uma trama para favorecer um dos lados de uma disputa empresarial, agiu para favorecer o outro, o de Dantas.

Pelo que se viu até agora e pelo que se comenta a respeito do que virá, as relações de Policarpo Jr. com Cachoeira são muito mais profundas do que aquelas entre Boechat e Tanure. A começar por um fato: Tanure é um empresário controverso, geralmente odiado por seus funcionários, mas não é um contraventor como Cachoeira. Desconhece-se, por exemplo, o uso de expedientes sujos (arapongas, rede de prostituição etc.) por Tanure.

Uma década atrás, O Globo enxergou um problema ético suficientemente grave para demitir seu funcionário. Hoje, defende sem um átimo de dúvida, sem aquele saudável distanciamento de quem não estava presente no exato momento dos fatos, uma empresa na qual não figura entre os acionistas. Como a família Marinho pode ter tanta certeza a respeito da lisura do comportamento de Veja sem ter conhecimento do teor completo dos telefonemas entre Policarpo Jr. e o bicheiro? Nem sobre os métodos cotidianos da editora?


quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Brasil vai ou não vai investigar a sua mídia?


O texto transcrito abaixo é de autoria do jornalista Bob Fernandes e trata do papel asqueroso a que se vem prestando a revista Veja no ataque a honras alheias; no ataque, beirando à conspiração, aos governos legitimamente constituído em vigor, da Presidenta Dilma, e o anterior do Presidente Lula. E eu adiro à campanha de que jornalistas daquela revista, ou outros quaisquer que tais, sejam devidamente investigados e, se for o caso, (admito a presunção da inocência, coisa para que eles não estão nem ai), condenados criminalmente, na forma da lei.
O caso do suposto grampo, que abalou os alicerces da república, é bem sintomático do que aquele tabloide faz e é capaz de fazer.

Rupert Murdoch é dono de um dos maiores impérios de mídia do mundo. Ele tem centenas de empresas que faturam perto de US$ 30 bilhões/ano. Mesmo com tudo isso, o relatório de uma CPI em andamento na Inglaterra acusa Murdoch de "enganar o Parlamento".
A CPI britânica concluiu que Murdoch e seu filho, James, fecharam os olhos para crimes cometidos por suas empresas. Entre outros crimes, um dos jornais de Murdoch grampeou os príncipes Harry e William, herdeiros da coroa.
O Brasil começa a viver a CPI do Cachoeira. Não é segredo que a mídia também está no olho do furacão. E que parlamentares querem investigar as relações entre o bicheiro Cachoeira, o senador Demóstenes Torres e a revista Veja. O ex-presidente Lula também acha que se deve investigar essas relações.

Na internet, que no Brasil tem algo como 80 milhões de usuários – estima-se que 48 milhões de usuários diários – o julgamento já começou.

O julgamento na internet dispensa provas. Cada um condena e absolve quem quiser. Bastam a opinião e o desejo de cada um. Como, aliás, tem sido cada vez mais em quase toda a mídia. Já uma CPI tem que investigar, de verdade, e provar. Até para inocentar.

No caso em questão, à parte os fatos que ainda não foram devidamente investigados, algo chama a atenção de parlamentares: como, em anos e anos de relação e de escândalos publicados, não se percebeu que Cachoeira era quem era? E isso, com Cachoeira tendo sido personagem do "Caso Waldomiro", que anos antes foi noticiado também na mesma revista Veja.

Na mídia, uma reportagem é fruto de decisões coletivas. A cultura é de construções e procedimentos hierarquizados. Portanto, a escolha de bode expiatório é um erro e é injusto. Mas, assim como o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, a mídia pode cometer erros, e comete. E, como ensina agora a Inglaterra, não há porque não examiná-los.
Há outro caso. Talvez até mais grave do que este porque levou a um choque entre poderes. Em 2008, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, foi ao Palácio e interpelou ninguém menos do que o Presidente da República. Mendes chamou Lula "às falas", segundo suas próprias palavras então.

Gilmar Mendes e Demóstenes Torres se disseram vítimas de um grampo da Abin, conforme capa da mesma revista Veja. A Polícia Federal investigou e não achou vestígio de grampo algum.


Mas, por conta desse grampo que ninguém ouviu, Paulo Lacerda, então diretor da Abin, foi demitido e "exilado" em Portugal. E com o grampo que ninguém sabe e ninguém ouviu, começou-se a enterrar a Operação Satiagraha. Aquela que prendeu o Banqueiro Daniel Dantas

Pergunto finalmente a quem interessava, ou melhor interessa, a difamação estampada na imagem acima, difamação completamente desmascarada hoje.

domingo, 6 de maio de 2012

Uma Nova Era para o Brasil dos brasileiros


Assisti à entrevista coletiva do Ministro Guido Mantega, em que explica as mudanças nas cadernetas de poupança.

Acho a medida, embora nada entenda de Economia, (a não ser que ter que economizar), talvez mais importante ainda do que o tão cantado plano real.

Diferentemente do plano da tão nefasta Zélia Cardoso de Melo que confiscou a poupança dos brasileiros, ação que desesperou muitos, levou muitos ao suicídio, até, (mas, logicamente que uns poucos “brasileiros” nada sofreram. Quem?... “nada a declarar”). E, a propósito, ouvi um dos mensageiros do outro lado perguntar ao Ministro (este é com m maiúsculo): “qual a diferença desta medida, da medida adotada pela Zélia Cardoso?
Talvez, queira essa minúscula parcela (a tradicional, a retrógada elite brasileira) implantar o terrorismo. É diferentemente de outros governos. Este governo está atacando bravamente aquilo que  "a long time" vem sugando os minguados rendimentos da população e cada vez mais fortalecendo os poucos de altos rendimentos, ou melhor, de altas rendas).
Olha, se eu não me engano, está criada uma nova ERA. Acho, está rompida uma barreira. O "POSTE", a Presidenta Dilma está iluminando!
Não vou me aprofundar em falar sobre o aspecto técnico da medida, mas da forma como a PRESIDENTA quis e conseguiu anunciar; da forma como foi apresentada, tanto por ela como pelo seu ministro: suavemente, inteligentemente, entendivelmente.
É uma nova era. Os “nobres”, os liberais, a elite, em fim, está a bufar.
Que “se explodam”!.
E para concluir segue o artigo de Marcos Coimbra, que tirei do Blog de Luis Nassif.

Do Correio Braziliense

Os Liberais e os Juros, contrariamente ao que Cachoeira, Demónstenes... querem 

Por Marcos Coimbra

O pronunciamento da presidente Dilma, esta semana, sobre os juros bancários é uma boa oportunidade para discutir alguns aspectos relevantes de nossa vida política.

Fica mais interessante por sua quase coincidência com as medidas que Cristina Kirchner tomou na Argentina a respeito da YPF, reestatizando a principal empresa petroleira do país. Nessa - como em outras situações -, é educativo cotejar o que acontece por lá com o que se passa aqui.

Dilma falou, em rede nacional, a propósito do Dia do Trabalho, como é de praxe. Fez um balanço da atuação do governo, apresentou realizações e metas. Celebrou os sucessos e se comprometeu com a solução dos problemas.

Até aí, portanto, um pronunciamento convencional.

Mas ela inovou, ao introduzir o tema dos juros. E não como mera referência. Foi a respeito deles a parte mais substanciosa do comunicado.

A novidade não estava no conteúdo, pois Dilma repetiu coisas conhecidas: que temos juros superiores aos de quase todos os países do mundo; que os bancos cobram taxas exorbitantes de pessoas físicas e jurídicas; que juros como os que praticam entravam o desenvolvimento e limitam o mercado interno.

O fato novo foi esse discurso estar na voz da presidente. Em uma fala solene como Chefe de Estado.

Ao invés de tangenciar o assunto, ela cobrou dos bancos ações concretas. Lembrou que os bancos oficiais estão fazendo - mesmo que ainda timidamente - sua parte. Sublinhou que não considerava aceitável que os bancos privados - nacionais e internacionais - continuassem com níveis de juros incompatíveis com a saúde do sistema financeiro e a adimplência que prevalece na economia brasileira.

Por mais incisiva que fosse, limitou-se a pedir que mudassem o comportamento. Que reconhecessem que seus longos anos de super-lucros tinham que terminar e que aceitassem que não poderiam continuar ganhando, no Brasil, mais que em qualquer país.

Não fez ameaças, não sugeriu que o governo poderia tomar medidas para forçá-los a agir de maneira mais responsável. Não estava implícito que pretendesse ir além do que os bancos públicos já fazem.

Mas a menção crítica aos bancos produziu reações negativas imediatas. Não nos meios políticos, pois seria impensável que as lideranças dos partidos de oposição reprovassem as declarações de Dilma, especialmente em um ano eleitoral. Se há imagem que candidato nenhum deseja é a de defensor dos juros estratosféricos que os consumidores têm que pagar.

Os liberais da imprensa é que correram na frente, mais rápido que os próprios bancos, a fim de defendê-los do “intervencionismo” e do “populismo” do governo. Para eles, o simples fato de Dilma falar no assunto é uma ante-sala do fim do mundo.

O liberalismo em que acreditam é uma autêntica jabuticaba. Algo que só existe aqui.

Depois das duas recentes crises nas economias avançadas - ou da longa crise que atinge a economia internacional desde 2008 - o radicalismo anti-intervencionista e anti-estatista que andou em voga no apogeu neo-liberal foi para o museu. Salvo os historiadores, ninguém lhe dá mais atenção.

Esses liberais brasileiros acham que qualquer restrição à liberdade absoluta dos mercados é um pecado mortal. Um crime que produz o desastre imediato do país que ousa cometê-lo.

O que diriam se fôssemos a Argentina? Se tivéssemos Cristina no lugar de Dilma?

Com seu respaldo popular, com o tamanho e a importância que a economia brasileira alcançou, o governo Dilma só não intervém porque não acha certo. Na hora em que achar, não serão os protestos dos liberais das redações que o deterão.

Eles que levantem as mãos para o céu e agradeçam por não viverem na Argentina


segunda-feira, 23 de abril de 2012

O caso Cachoeira2

Vale a pena lermos o que diz Leandro Fortes, este sim, jornalista que se preza, diz a seguir, artigo que foi reproduzido no Blog de Luiz Nassif.

A CPI e o fim do jornalismo investigativo de araque


Por Leandro Fortes


Há oito anos, escrevi um livrete chamado “Jornalismo Investigativo”, como parte do esforço da Editora Contexto em popularizar o conhecimento básico sobre a atividade jornalística no Brasil. Digo “livrete” sem nenhum desmerecimento, muito menos falsa modéstia, mas para reforçar sua aparência miúda e funcional, um livro curto e conceitual onde plantei uma semente de discussão necessária ao tema, apesar das naturais deficiências de linguagem acadêmica de quem jamais foi além do bacharelado. Quis, ainda assim, formular uma conjuntura de ordem prática para, de início, neutralizar a lengalenga de que todo jornalismo é investigativo, um clichê baseado numa meia verdade que serve para esconder uma mentira inteira. Primeiro, é preciso que se diga, nem todo jornalismo é investigativo, embora seja fato que tanto a estrutura da entrevista jornalística como a mais singela das apurações não deixam de ser, no fim das contas, um tipo de investigação. Como é fato que, pelo prisma dessa lógica reducionista, qualquer atividade ligada à produção de conhecimento também é investigativa.


A consideração a que quero chegar é fruto de minha observação profissional, sobretudo ao longo da última década, período em que a imprensa tornou-se, no Brasil, um bloco quase que monolítico de oposição não somente ao governo federal, a partir da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, mas a tudo e a todos vinculados a agendas da esquerda progressista, aí incluídos, principalmente, os movimentos sociais, os grupos de apoio a minorias e os defensores de cotas raciais. Em todos esses casos, a velha mídia nacional age com atuação estrutural de um partido, empenhada em fazer um discurso conservador quase sempre descolado da realidade, escoltado por um discurso moralista disperso em núcleos de noticiários solidificados, aqui e ali, em matérias, reportagens e editoriais de indignação seletiva.


A solidez – e a eficácia – desse modelo se retroalimenta da defesa permanente do grande capital em detrimento das questões sociais, o que tanto tem garantido um alto grau de financiamento desta estrutura midiática, como tem servido para formar gerações de jornalistas francamente alinhados ao que se convencionou chamar de “economia de mercado”, sem que para tal lhes tenha sido apresentado nenhum mecanismo de crítica ou reflexão. Essa circunstância tem ditado, por exemplo, o comportamento da imprensa em relação a marchas, atos públicos e manifestações de rua, tratados, no todo, como questões relacionadas a trânsito e segurança pública. Interditados, portanto, em seu fundamento social básico e fundamental, sobre o qual o jornalismo comercial dos oligopólios de comunicação do Brasil só se debruça para descer o pau.


O resultado mais perverso dessa estrutura midiática rica e reacionária é a perpetuação de uma política potencialmente criminosa de assassinato de reputações e intimidação de agentes públicos e privados contrários às linhas editoriais desses veículos. Ou, talvez pior ainda, a capacidade destes em atrair esses mesmos agentes para seu ventre, sob a velha promessa de conciliação, para depois, novamente, estrangulá-los sob a vista do público.


“Jornalismo Investigativo”, porém, foi escrito anteriormente ao chamado “escândalo do mensalão”, antes, portanto, de a mídia brasileira formar o bloco partidário ora em progresso, tristemente conservador, que se anuncia diuturnamente como guardião das liberdades de expressão e imprensa – conceitos que mistura de forma deliberada para, justamente, esconder sua real indiferença, tanto por um quanto pelo outro. Distante, por um breve instante de tempo, da guerra ideológica deflagrada a partir do mensalão, me foi possível escrever um livro essencialmente simples sobre o verdadeiro conceito de jornalismo investigativo, ao qual reputo a condição de elemento de influência transversal, e não um gênero capaz de ser enclausurado em editorias, como o são os jornalismos político, econômico, esportivo, cultural, etc.


Jornalismo investigativo é a sistematização de técnicas e conceitos de apuração para a produção de reportagens de fôlego, não necessariamente medidas pelo tamanho, mas pela profundidade de seus temas e, principalmente, pela relevância da notícia que ela, obrigatoriamente, terá que encerrar. Este conceito, portanto, baseado na investigação jornalística, existe para se utilizado em todos os gêneros de reportagem, em maior ou menor grau, por qualquer repórter. Daí minha implicância com o termo “jornalista investigativo”, ostentado por muitos repórteres brasileiros como uma espécie de distintivo de xerife, quando na verdade a investigação jornalística é determinada pela pauta, não pela vaidade de quem a toca. O mesmo vale para o título de “repórter especial”, normalmente uma maneira de o jornalista contar ao mundo que ganha mais que seus colegas de redação, ou que ficou velho demais para estar no mesmo posto de focas recém-formados.


Para compor o livro editado pela Contexto, chamei alguns jornalistas para colaborar com artigos de fundo, como se dizia antigamente, os quais foram publicados nas últimas páginas do livro. Fui o mais plural possível, em muitos sentidos, inclusive ideológico, embora essa ainda não fosse uma discussão relevante, ou pelo menos estimulante, dentro da imprensa brasileira, à época. O mais experiente deles, o jornalista Ricardo Noblat, hoje visceralmente identificado ao bloco de oposição conservadora montado na mídia, havia também escrito um livro para a Contexto sobre sua experiência como editor-chefe do Correio Braziliense, principal diário de Brasília que, por um breve período de oito anos (1994-2002), ele transformou de um pasquim provinciano e corrupto em um jornal respeitado em todo o país. Curiosamente, coube a Noblat assinar um artigo intitulado “Todo jornalismo é investigativo” e, assim, reforçar a lengalenga que o livro esforça-se, da primeira à última página, em desmistificar.


Tivesse hoje que escrever o mesmo livro, eu teria aberto o leque desses artigos e buscaria opiniões menos fechadas na grande imprensa. Em 2004, quando o livro foi escrito (embora lançado no primeiro semestre de 2005), o fenômeno da blogosfera progressista era ainda incipiente, nem tampouco estava em voga a sanha reacionária dos blogs corporativos da velha mídia. No mais, minha intenção era a de fazer um livro didático o bastante para servir de guia inicial para estudantes de jornalismo. Nesse sentido, o livro teve relativo sucesso. Ao longo desses anos, são raras as palestras e debates dos quais participo, Brasil afora, em que não me apareça ao menos um estudante para comentar a obra ou para me pedir que autografe um exemplar.


Faz-se necessário, agora, voltar ao tema para trazer o mínimo equilíbrio ao recrudescimento dessa discussão na mídia, agora às voltas com uma CPI, dita do Cachoeira, mas que poderá lhe revolver as vísceras, finalmente. Contra a comissão se levantaram os suspeitos de sempre, agora, mais do que nunca, prontos a sacar da algibeira o argumento surrado e cafajeste dos atentados às liberdades de imprensa e expressão. A alcova de onde brota essa confusão deliberada entre dois conceitos distintos está prestes a tomar a função antes tão cara a certo patriotismo: o de ser o último refúgio dos canalhas.


Veio da revista Veja, semanal da Editora Abril, a reação mais exaltada da velha mídia, a se autodenominar “imprensa livre” sob ataque de fantasmas do autoritarismo, em previsível – e risível – ataque de pânico, às vésperas de um processo no qual terá que explicar as ligações de um quadro orgânico da empresa, o jornalista Policarpo Jr., com a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Primeiro, com novos estudos do Santo Sudário, depois, com revelações sobre a superioridade dos seres altos sobre as baixas criaturas, a revista entrou numa espiral escapista pela qual pretende convencer seus leitores de que a CPI que se avizinha é parte de uma vingança do governo cuja consequência maligna será a de embaçar o julgamento do “mensalão”. Pobres leitores da Veja.


Não há, obviamente, nenhum risco à liberdade de imprensa ou de expressão, nem à democracia e ao bem estar social por causa da CPI do Cachoeira. Há, isso sim, um claro constrangimento de setores da mídia com a possibilidade de serem investigados por autoridades às quais dedicou, na última década, tratamento persecutório, preconceituoso e de desqualificação sumária. Sem falar, é claro, nas 200 ligações do diretor da Veja em Brasília para Cachoeira, mentor confesso de todos os furos jornalísticos da revista neste período. Em recente panfletagem editorial, Veja tentou montar uma defesa prévia a partir de uma tese obtusa pela qual jornalistas e promotores de Justiça obedecem à mesma prática ao visitar o submundo do crime. Daí, a CPI da Cachoeira, ao investigar a associação delituosa entre a Veja e o bicheiro goiano, estaria colocando sob suspeita não os repórteres da semanal da Abril, mas o trabalho de todos os chamados “jornalistas investigativos” do país.


A tese é primária, mas há muita gente no topo da pirâmide social brasileira disposta a acreditar em absurdos, de modo a poder continuar a acreditar nas próprias convicções políticas conservadoras. Caso emblemático é o do atentado da bolinha de papel sofrido pelo tucano José Serra, na campanha eleitoral de 2010. Na época, coube ao Jornal Nacional da TV Globo montar um inesquecível teatro com um perito particular, Ricardo Molina, a fim de dar ao eleitor de Serra um motivo para entrar na fila da urna eleitoral sem a certeza de estar cometendo um ato de desonestidade política. Para tal, fartou-se com a fantasia do rolo-fantasma de fita crepe, gravíssimo pedregulho de plástico e cola a entorpecer as idéias do candidato do PSDB.


Todos nós, jornalistas, já nos deparamos, em menor ou maior escala, com fontes do submundo. Esta é a verdade que a Veja usa para tentar se safar da CPI. Há, contudo, uma diferença importante entre buscar informação e fazer uso de um crime (no caso, o esquema de espionagem da quadrilha de Cachoeira) como elemento de pauta – até porque, do ponto de vista da ética jornalística, o crime em si, este sim, é que deve ser a pauta. A confissão do bicheiro, captada por um grampo da PF, de que “todos os furos” recentes da Veja se originaram dos afazeres de uma confraria de criminosos, nos deixa diante da complexidade desse terrível zeitgeist, o espírito de um tempo determinado pelos espetáculos de vale tudo nas redações brasileiras.


Foi Cachoeira que deu à Veja, a Policarpo Jr., a fita na qual um ex-diretor dos Correios recebe propina. O material foi produzido pela quadrilha de Cachoeira e serviu para criar o escândalo do mensalão. Sob o comando de Policarpo, um jovem repórter de apenas 24 anos, Gustavo Ribeiro, foi instado a invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu, em um hotel de Brasília. Flagrado por uma camareira, o jornalista acabou investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal, mas escapou ileso. Não se sabe, até hoje, o que ele pretendia fazer: plantar ou roubar coisas. A matéria de Ribeiro, capa da Veja, era em cima de imagens roubadas do sistema interno de segurança do hotel, onde apareciam políticos e autoridades que freqüentavam o apartamento de Dirceu. A PF desconfia que o roubo (atenção: entre jornalistas de verdade, o roubo seria a pauta) foi levado a cabo pela turma de Cachoeira. A Veja, seria, portanto, receptadora do produto de um crime. Isso se não tiver, ela mesmo, o encomendado.


Por isso, além da podridão política que naturalmente irá vir à tona com a CPI do Cachoeira, o Brasil terá a ótima e rara oportunidade de discutir a ética e os limites do jornalismo a partir de casos concretos. Veremos como irão se comportar, desta feita, os arautos da moralidade da velha mídia, os mesmos que tinham no senador Demóstenes Torres o espelho de suas vontades.