sábado, 30 de abril de 2016

A "Musa" do Golpe?

Transcrevo, a seguir, análise de Romulus, extraída do blog “jornal GGN, de Luis Nassif, sobre o discurso da advogada Janaína para a Comissão Especial do Impeachment do Senado, quando ela defendera a peça de acusação de crime de responsabilidade supostamente cometida pela presidenta Dilma, apenas por sentimento patriótico – teria ela explicado em outras palavras - remunerada, entretanto, pela “bagatela” de R$45.000,00 paga pelo psdb.


Embora se trate de um texto longo, vale a pena, entretanto, discorrer por toda sua extensão para melhor conhecimento do assunto e, principalmente, formar uma melhor compreensão da personalidade da “musa” do golpe. Ou feiticeira?


Sessão do Senado: Janaína volta a dar BANDEIRA. Só faltou girar, como na USP.

- Saímos da previsibilidade que se esperava até a votação em plenário.
Por quê?
- Janaína mexe em time que estava ganhando – e em jogo já jogado antes mesmo de começar a partida.
Por quê (2)?
- Inova na forma: na retórica afetada e no look “coitadinha”.
Por quê (3)?
- Inova no conteúdo: (i) exige a ampliação extemporânea do objeto da acusação de impeachment; e (ii) surge agora com uma fórmula “papa-tudo”: crime omissivo impróprio em interpretação extensiva (prometo que vou explicar fácil aí embaixo!).
Por quê (4)?
- O fator STF como parte da resposta a esses porquês (1 a 4).
- Bônus: notas sobre a sofrível performance pessoal de outros atores nas sessões farsescas do Senado

Impeachment: estamos de volta
Voltamos à novela farsesca do impeachment, depois de alguns dias de calmaria (leia: “Senado/STF: respire fundo antes do mergulho”). E não havia forma melhor/pior de fazê-lo: com mais uma performance memorável da advogada Janaína Paschoal em sua profissão de fé pelo impeachment da Presidente Dilma.
Mais uma vez foi um esforço pessoal grande para mim: as 5h de diferença no fuso horário – como na inesquecível votação do dia 17 na Câmara – fez com que varasse a noite diante do espetáculo ao vivo gerado em Brasília.
Por incrível que pareça valeu a pena.
Diferentemente do que eu esperava – mais do mesmo até a derradeira votação no plenário do Senado em meados de maio – ontem houve fato novo. E graças exclusivamente a Janaína Paschoal – e os seus.

Janaína mexe em time que estava ganhando - em jogo já jogado antes mesmo da partida começar
Como disse em “Senado/STF: respire fundo antes do mergulho”, o jogo no Senado já está jogado mesmo antes de começar. Nem o mais otimista dos Senadores governistas ousaria discordar desse diagnóstico. Independentemente da debilidade da peça acusatória e de seu tumultuado trânsito parlamentar, o plenário votará pelo início do processo, o que implica o afastamento da Presidente.
Mais uma farsa nesse espetáculo todo ele farsesco, em que o notório cinismo e hipocrisia que regem a política profissional no Brasil privilegiam a forma e as aparências em detrimento da substância, do conteúdo.
E o que mudou ontem graças a Janaína?
Ora, o diagnóstico de jogo jogado no Senado é comum ao governo a à oposição. Comum às militâncias de ambos os lados e já devidamente “precificado” e assimilado. Assim, esse resultado já orienta o planejamento das ações de ambos os lados após a (não-)surpresa que o Senado nos reserva daqui a duas semanas.
Diferentemente dos indícios contrários, não considero a advogada Janaína perturbada ou possessa. Da mesma forma, a cátedra que ocupa na USP indicaria o conhecimento, ainda que mínimo, da Lei.
(Nota: não a conheço pessoalmente. Dessa forma, essas duas afirmações são presunções. Minha vivência acadêmica em universidades de ponta no Brasil me ensinou que, por incrível que possa parecer, pessoas sem conhecimento sólido e com raciocínio não mais que medíocre podem ir longe na academia. Principalmente nesse Brasil dos formalismos e das aparências, em que a crítica ao trabalho acadêmico é tomada como ofensa pessoal. Em outra oportunidade trago relatos anedóticos a esse respeito)
Então, partindo da premissa de que Janaína é sã e conhecedora do Direito, o que a levaria à performance bizarra de ontem?
Primeiramente é preciso delimitar a que me refiro como “performance bizarra”:

(1) Forma:
Retórica:
A Janaína do discurso do Largo de São Francisco baixou na advogada ontem novamente.
Saravá!
Embora uma oitava abaixo, diga-se em seu favor. Nada a ver com a Janaína (um pouco mais) sóbria que falou à Comissão da Câmara dos Deputados semanas atrás.
Excessos retóricos – se é que podem ser qualificados como retórica – abundaram: teatralidade excessiva, com o emprego exagerado de ênfases, entonações, pausas dramáticas, caretas, gestual exagerado e choro (sem lágrimas). Chegou àquele nível de afetação que constrange quem a testemunha. Isto é: a famosa “vergonha alheia” das redes sociais, que tantos memes gera para nosso divertimento.
Não faltaram apelos “extravagantes” nesse excesso retórico. Janaína remeteu-se às “criancinhas” do Brasil, com a Constituição (“livro sagrado”) erguida ao alto; evocou, com muita humildade, sua reverência e respeito ecumênicos por pastoras e mães-de-santo; assinalou a importância de um “Estado laico mas não ateu!” (bravo, Janaína!); compadeceu-se dos “presos políticos” na Venezuela e nas demais “ditaduras amigas”; e, finalmente, lembrou, com pesar, do fim da “menina Dilminha bailarina” – aquela que se foi sem nunca ter sido – e que a levou às lágrimas diante de sua corrupção pelo Poder e pelos (bate na madeira três vezes!) “marqueteiros do mal”.
Oh, que horror!
“Look”:
Por que Janaína sentiu a necessidade de se apresentar com uma vestimenta tão “simplesinha” diante do Senado?
Qual o look que adotou diante do “Poder”?
- Uma camisetinha básica estilo Hering, bijuterias de plástico e cabelos “revoltos”.
Aliás, a própria Janaína registrou em sua fala supostas críticas que recebera de fãs ao seu look.
Ah, dirão alguns, que preconceito! Que visão machista! Fosse ela homem não se comentaria sobre o seu look.
Evidente que sim! Alguém imaginou que o Ministro Cardozo pudesse ir ao Senado hoje vestido de calça jeans e sem gravata, com camisa desabotoada? É claro que não. Estou a vê-lo neste momento no Senado e está ele com a vestimenta esperada: terno e gravata.
O mundo do Direito, conservador que é, possui códigos a serem observados pelos iniciados, não iconoclastas, para que se façam ouvir pelos seus pares. Isso inclui não só o uso do jargão, mas também a adoção dos trajes esperados.
Não faço aqui defesa desses códigos conservadores. Muitas vezes sofri eu de terno e gravata os 42 graus Celsius do Centro do Rio de Janeiro – algo totalmente irracional. Faço tão somente uma constatação de alguém que frequenta o mesmo meio que Janaína.
Ah, mas não será Janaína então uma iconoclasta? Uma questionadora desses códigos conservadores superficiais?
Não me parece. A não ser que ela escolha apenas o Senado para fazer esse “questionamento” (aqui o look “simplesinha” no Senado). Sim, porque em todos os programas de televisão de que participou o look foi totalmente diferente. Sempre de terninho ou vestido, como seria de se esperar no nosso meio conservador (aqui, aqui e ainda aqui).
Ora, qual ambiente pede maior rigor no traje? Programas de televisão ou o Senado da República?
Senado, aliás, em sessão de extrema relevância, analisando o afastamento da Chefe de Estado, televisionada ao vivo para todo o país.
O que buscava Janaína com esse look “simplesinho”? Reforçar seus argumentos jurídicos (sic) com a simpatia que o observador médio hipoteca ao pequeno Davi diante do gigante Golias? Ou seja, quis fazer-se de coitadinha austera diante do “Poder” “corrupto”?
Cada um que faça seu diagnóstico.
Eu já fiz o meu.

(2) Conteúdo:
Como exposto acima, os excessos retóricos surpreenderam diante do diagnóstico de “jogo jogado”.
Mas muito mais surpreenderam as inovações jurídicas (sic) no discurso de Janaína.
Por que tumultuar o “jogo jogado” nessa altura? Em time que está ganhando não se mexe, não é mesmo?
Ampliação do objeto do impeachment
No entanto Janaína vem com uma argumentação sofrível defender que o Senado passe por cima:
(i) do rito definido pelo STF em dezembro passado, que esclareceu acima de qualquer dúvida a sucessão – com o necessário encadeamento – entre as etapas de admissibilidade (Câmara), processo e julgamento (Senado);
(ii) da reafirmação dos limites da acusação nos Mandados de Segurança julgados pelo STF no dia 14/4 - apenas reafirmando o óbvio diante de todo o conteúdo “extravagante” do relatório do dep. Jovair Arantes; e
(iii) de toda a tumultuada tramitação do processo na Câmara dos Deputados, retirando toda a importância e toda a consequência jurídica da “autorização” dada pela Câmara dos Deputados ao processamento da Chefe do Estado. Essa salvaguarda foi totalmente esvaziada. Para a Janaína de ontem, nada importa em que termos a “Casa do Povo” autoriza (ou não) a Câmara alta do Parlamento – que representa a federação – a processar e julgar o Chefe de Estado. Isso porque – segundo a Janaína de ontem – essa autorização não vincularia o Senado.
Uau!
Meu queixo caiu!
É interessante notar que a “verdade revelada” de Janaína encontrou pouco eco naquela plateia qualificada. Não houve repercussão relevante nem por parte do relator nem por parte dos arguidores. Isso apesar de toda a insistência de Janaína ao longo da tarde e da noite para que o Senado acrescentasse “Petrolão”, “Pasadena” e “pedaladas” de 2014, entre outros, à denúncia.
E por que não houve eco, nem mesmo entre os defensores do impeachment?
Primeiramente é preciso notar que grande parte dos Senadores arguidores já chegou com questionamentos anotados – e muitas vezes mal lidos por aqueles que claramente não os escreveram. Dessa forma, as intervenções desses Senadores, pré-fabricadas, não podiam refletir as “inovações” de Janaína.
Em segundo lugar, socorro-me da sabedoria popular. Os Senadores com mais discernimento, aqueles que prescindem de anotações de assessores, seguiram a máxima: “estrume” quanto mais se mexe mais fede. Melhor ignorar as “inovações” malcheirosas de Janaína.
E assim fizeram. Ontem e hoje também.
Imputação “papa-tudo” de Janaína: interpretação extensiva de crime omissivo impróprio
- Agora vai: não há escapatória!
Entre muitos outros escorregões – deliberados? – de Janaína não posso me furtar de mencionar sua novíssima interpretação para crime omissivo impróprio no âmbito da Administração Pública. Trata-se de um “domínio do fato” de sinal trocado e elevado ao cubo! Uma responsabilização absoluta! Caso fosse entendimento disseminado, não sobraria um chefe de Executivo sentado em sua cadeira no Brasil.
Aliás, no Brasil não... no mundo!
O que sugere Janaína agora?
Como premissa, ela alongou o objeto da acusação pretendendo incluir no mesmo “Petrolão”, etc.
Já questionamos essa “inovação” acima.
Mas, arguendo, i.e., apenas para contra-argumentar a sua hipótese estapafúrdia, admitamos essa extensão.
Qual a implicação dessa inclusão para a configuração de crime da Presidente da República?
Ora, Janaína inclui no seu rol de crimes que imputa à Presidente Dilma diversos crimes omissivos impróprios.
E que crimes foram esses? Que omissões cometeu a Presidente?
Primeiro a definição: em um crime omissivo impróprio, atribui-se o crime ao omitente (aquele que se omitiu), como seu causador por não cumprir seu dever legal especial de agir e evitar o resultado.
Exemplos: pais em relação aos filhos, médicos com pacientes, salva-vidas com banhistas, etc. (Art. 13, §2°, do Código Penal).
Pressupostos: (1) a posição de garantidor - dever de agir e evitar o resultado; (2) a possibilidade concreta de agir e evitar o resultado; (3) a causação de um resultado imputável ao omitente; e (4) dolo ou culpa.
Janaína argumenta que Dilma, ainda como Ministra e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras (antes mesmo de ser eleita Presidente!) cometeu crime omissivo impróprio no caso “Pasadena” por faltar com a sua obrigação legal de “cuidado, proteção ou vigilância” (Art. 13, §2°, alínea “a”, do Código Penal).
Uau! Foi longe, hein, Janaína?
O mesmo raciocínio é aplicado por Janaína a Dilma – já Presidente – com relação ao Petrolão e à Lava a Jato. Todos os crimes deste escândalo são, segundo Janaína, imputáveis à Presidente Dilma por omissão imprópria! Faltou ela com sua obrigação legal de “cuidado, proteção e vigilância”.
É um “domínio do fato” de sinal trocado e elevado ao cubo:
- Se não colar o “não havia como não saber pela posição que ocupava” não há como escapar desse papa-tudo jurídico (legal catch all): “se não sabia então faltou com seu dever legal de cuidado, proteção e vigilância”.
Ora, quem há de escapar dessa teia de aranha papa-tudo tecida por Janaína?
Certamente nenhum Chefe de Executivo – Federal, Estadual e municipal – brasileiro. Ou mesmo do mundo!
Mundo real, bem entendido. Talvez no mundo ideal fadas e duendes não haverão de anotar nenhum crime omissivo impróprio, já que nem mesmo desvios comissivos existirão.
Imaginem se ao Chefe do Executivo pudessem ser imputados, por omissão, todos e quaisquer desvios ocorridos na Administração Pública.
Não sobrava um no cargo!

Conclusão:
Não esperava nada de novo nesse “jogo jogado” e, no entanto, Janaína trouxe várias novidades. Mexeu, com muito empenho, em um time que estava ganhando antes mesmo de entrar em campo.
Por que ela faria isso?
Mesmo com esses deslizes, o jogo no Senado continua estando já jogado – não alimentemos nenhuma esperança vã. A única justificativa seria uma apreensão com relação (i) à futura análise pelo STF do atual objeto da denúncia, (ii) sua debilidade e (iii) seu caráter imprestável para caracterizar crime de responsabilidade conforme definido na Constituição e na legislação aplicável.
Tentei pensar em outras explicações. Mas – supondo a sanidade mental de Janaína e a ausência de um acentuado “déficit cognitivo” na mesma – essa é a única que me restou.
Em síntese: Janaína – e os seus – sabem que a sua peça acusatória não é apenas débil. É imprestável. Somente um juízo puramente político – ignorando todos os requisitos constitucionais e legais – poderia afastar a Presidente Dilma com base na mesma.
Não por outra razão os defensores do impeachment vêm batendo – à exaustão – nas teclas “juízo político” exclusivo (minimizando a dimensão jurídica) e “competência exclusiva do Senado” para processar e julgar o impeachment, excluindo qualquer controle de constitucionalidade pelo STF dos atos do Senado nesse processo.
Diversos são os pronunciamentos de juristas em sentido contrário – alguns muito mais qualificados do que Janaína (ou eu!).
Apenas aqui no blog já são seis os posts com manifestações nesse sentido: aqui, aqui, aqui, aqui,aqui e ainda aqui. Recomendo, humildemente, a leitura de todos. Desde o Constitucionalista, Professor Catedrático de Coimbra, Deputado Constituinte, Ministro do Tribunal Constitucional e Euro-Deputado, Vital Moreira, passando pelo Professor Afranio Silva Jardim, da UERJ, por analista jurídico do STF, por diversos outros juristas, e chegando até mesmo a texto de minha autoria – certamente o menos importante deles.
Fator STF
Certamente a trinca de Ministros do STF fechados com o golpe é o bloco do Tribunal mais vocal na mídia. Pronunciaram-se muito oportunamente nos meios de comunicação “amigos” em defesa do impeachment, que – nos seus pronunciamentos – “não é golpe”. Fizeram-no apenas para tentar esvaziar a percepção contrária, hoje já majoritária no Brasil e até mesmo na imprensa internacional!
As falas da trinca do golpe também se destinam a serem capitalizadas pelos Senadores pró-impeachment em suas intervenções na Comissão do Senado. Bastou assistir às sessões de ontem e hoje para constatar o jogo em tabelinha entre a trinca do STF e a bancada do golpe.
Evidentemente, o posicionamento da “trinca” do golpe nós já sabíamos de antemão. Aliás, fosse o Brasil um país com instituições maduras, o governo não hesitaria em arguir a suspeição dos três – sem temer reação corporativista dos demais Ministros. Já se pronunciaram sobre o que julgarão diversas vezes na imprensa. Impunemente.
Palpites sobre placar no STF
Sim, a trinca do golpe é muito vocal na mídia (3 Ministros). Faz muito barulho.
Mas do outro lado há dois Ministros circunspectos que provavelmente se oporão ao golpe (2 Ministros).
À trinca golpista vai, provavelmente, somar-se um voto oportunista e outro leviano (1 a 2 Ministros).
Mas o bloco majoritário no STF é o dos “indecisos/lava mãos” (4 a 5 Ministros).
Nos julgamentos que precederam a votação na Câmara, o bloco majoritário aderiu à trinca do golpe.
Talvez agora – diante da desmoralização crescente do golpe, inclusive em nível internacional – o bloco dos indecisos/lava mãos esteja ficando desconfortável com sua fotografia no mundo e na História. Talvez haja sinalizações desses Ministros que passem a colocar em risco um jogo que parecia já ganho antes mesmo de ser jogado.
Janaína – e os seus – têm interlocutores privilegiados. São muito bem informados. O “cavalo de pau” extemporâneo que estão dando na acusação há de refletir alguma nova preocupação. Demonstra, sem sombra de dúvida, no mínimo ansiedade.
Essa é a minha percepção e a minha leitura das sessões da Comissão do Senado de ontem e de hoje. Como disse, essa leitura parte da premissa de que os atores são mentalmente sãos e não sofrem de acentuado “déficit cognitivo”.
Outra posição:
Um interlocutor – cuja opinião prezo muito – após me ouvir repetiu uma das máximas que leva para a sua vida: “nunca assuma malícia quando burrice explica”.
Será?
Esse interlocutor, junto a outros, também atribui boa parte do histrionismo e da bizarrice na argumentação de Janaína ao lançamento precoce de sua candidatura em eleição vindoura.
Concordo. Mas uma uma coisa não exclui a outra.

Outros pontos dignos de nota:
- A empatia e a “vergonha alheia” fazem-nos compreender perfeitamente por que Miguel Reale Jr. se retirou logo após a sua exposição. Quis poupar-se de estar presente durante a constrangedora exposição de Janaína e quis fugir de arguições demolidoras, como a que a si dirigiu o Sen. Lindbergh Farias na sequencia.
- Providencial a tal “consulta médica” em São Paulo, hein, Dr. Reale? Consulta médica... realmente se perdeu qualquer pudor quanto a desculpas esfarrapadas neste processo... vale tudo!
- Só nesse processo farsesco o relator da Comissão poderia ser membro do principal partido de oposição, o mesmo partido que contratou – a soldo - parecer sobre o impeachment aos subscritores da peça acusatória. O relator é não apenas membro do partido, mas também braço direito e “ghost-governor” (meu neologismo para “governador de fato”) do candidato derrotado pela Presidente Dilma nas eleições presidenciais.
- Realmente se perdeu qualquer pudor... vale tudo! (2)
- Quem foi o “gênio” da oposição que se saiu com a seguinte fórmula - repetida à exaustão por mais de um senador nos dois dias de sessões: “o bicho mia, bebe leite, come rato, mas o governo insiste que é cachorro”?
- Nossa! Que metáfora genial! Falará ao coração do povão, não é mesmo?
- Não, não falará não...
- realmente Lula - e seu poder de comunicação - só existe um mesmo

sábado, 16 de abril de 2016

A Pergunta que Greenwald não Fez a Lula

Permito-me extrair do blog Diário do Centro do Mundo (DCM), o artigo da lavra de Paulo Nogueira, do qual apropriei-me do título usado para esta postagem.
Esclareço que Greenwald é um jornalista norte-americano e que entrevistou há dias atrás o ex-presidente Lula. Entrevista imperdível!
E a pergunta referida por Paulo Nogueira é um questionamento que faço de há muito tempo: quem bate ferozmente contra o governo diariamente e “desde sempre”? Respondo: o “bom dia brasil” (tudo em minúsculo mesmo, hein?) e quem patrocina o lixo desse jornal matutino (pergunto eu)? O Banco do Brasil! E quem é o maior acionista do banco? O governo. Isto, só pra ficar com um exemplo bem particular e característico do que acontece com a imunda grande imprensa. Ela é financiada pelo governo para massacrá-lo. Masoquismo governamental?

Leiamos o artigo, pois.
Não poderia ser melhor a análise do excelente jornalista americano Glenn Greenwald sobre a imprensa brasileira.
É chocantemente desonesta.
Ela não faz jornalismo, notou ele na entrevista com Lula. Ela faz propaganda contra o governo.
Quer dizer: seus donos fazem, eles que são um pequeno grupo entre as famílias mais ricas do país.
Quem vive no Brasil pode não ter noção de quanto é desonesta a mídia. Você pode se acostumar com um bode na sala, se conviver muito tempo com ele.
Mas para quem tem outras referências, como é o caso de Greenwald, é uma coisa realmente espantosa.
Trabalhei muitos anos na Abril, e alguns na Globo. Só fui notar com clareza o caráter maligno de ambas ao viver em Londres. A distância me permitiu ver o horror indecente que marca as companhias jornalísticas brasileiras.
Na Inglaterra, você não vai encontrar nenhum jornal ou revista que faça nada parecido com a imprensa brasileira. Nos Estados Unidos, idem. Em nenhuma sociedade avançada é tolerada uma conduta criminosa como a da mídia do Brasil.
Numa entrevista ao DCM, um juiz sueco disse que para ele era simplesmente impossível pensar que um político na condição de Eduardo Cunha poderia estar em outro lugar que não fosse atrás das grades.
Da mesma forma, é impensável você imaginar em países mais civilizados uma imprensa como a brasileira.
Quem primeiro abandonou o jornalismo para se dedicar à propaganda disfarçada foi a Veja.
Ela fracassou. Está quebrada e perdeu por inteiro o respeito e a credibilidade. Ninguém mais a leva a sério, tantos os disparates que cometeu. A Veja é um morto que caminha.
Mesmo assim, ela acabou sendo seguida pelo resto da mídia. As demais revistas semanais, Época e IstoÉ, viraram subVejas. Toda semana elas se esforçam por dar furos sensacionais que mudarão a República, e que terminam invariavelmente no merecido esquecimento.
A adesão mais espetacular ao antijornalismo veio do Jornal Nacional. O JN é hoje uma Veja eletrônica. Aumenta ou inventa denúncias contra Lula e o governo, esconde qualquer coisa positiva e por aí vai: perdeu completamente o pudor.
O Jornal Nacional é tão aloprado, editorialmente, quanto a Veja.
Me surpreende que os donos não percebam este movimento de autodestruição. Mas não seria exatamente uma novidade. Na Abril, presenciei a derrocada editorial da Veja, e em várias conversas de alerta que tive com Roberto Civita percebi que ele não notava o fogo que grassava na imagem e na credibilidade da revista.
A propaganda mais sutil é a da Folha. Ela abriga uma pequena cota de progressistas para fingir pluralidade, mas o espaço inteiro fora das colunas é dedicado a bater, bater e bater em qualquer coisa parecida com esquerda.
O que Greenwald provavelmente não sabe é que essa mídia abjeta vive do dinheiro público. Anúncios, financiamentos de bancos estatais, compras de livros e assinaturas: são numerosas as formas como o dinheiro do contribuinte vai parar nas companhias jornalísticas.
Ele também não deve saber que nos anos do PT no poder os recursos públicos continuaram a jorrar para as famílias Marinho, Civita e Frias.
Se soubesse, ele teria incluído na entrevista a Lula esta pergunta: “Mas como o senhor continuou a dar tanto dinheiro para esta mídia que conspira abertamente contra a democracia?”

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Promiscuidade, Suspeição e Sujeira

Reproduzo artigo de Roberto Amaral extraído do Conversa Afiada e originalmente da revista Carta Capital.
Ao título original, acrescento SUJEIRA, portanto o título desta postagem fica assim: Promiscuidade, Suspeição e Sujeira  .
Aproveitando a oportunidade: um ministro do STF, se não me engano, de sobrenome Barroso, em evento fechado, expressou sua indignação com a falta de alternativa para a política brasileira. No entanto, até então, nada se ouve daquela autoridade e de seus pares (com alguma exceção) qualquer manifestação de, ao menos, desagrado com o disparatado procedimento de um seu colega, nominalmente citado na matéria que segue.   

Conversa Afiada reproduz artigo de Roberto Amaral, extraído da Carta Capital:
Independentemente do desfecho da crise política, ficará a fratura da crise de legitimidade que corrói os poderes da República e ameaça a democracia
por Roberto Amaral
Evandro Lins e Silva, homem raro, ministro que honrou um Supremo Tribunal Federal (STF) honrado e por isso mesmo dilacerado pela ditadura de 1964 (que lhe impôs cassações e desfiguradora ampliação de membros), profligava a promiscuidade representada pelo convívio, em Brasília, de juízes e ministros com jornalistas, políticos e advogados, estes muitas vezes patronos de causas em demanda.
Essa convivência promíscua se dava (e se dá agora mais do que nunca) não apenas nos gabinetes dos três poderes, mas, igualmente, em bares e restaurantes da moda, em lobbies pouco afamados de hotéis famosos, e, assim, a inevitável discussão sobre interesses, observava o velho juiz, estabelecia laços de compadrio, incompatíveis com o decoro e o recato que a toga exige de qualquer magistrado, mas exige principalmente daquele que é alçado à mais alta Corte de justiça do país.
Evandro vinha de um tempo – daí seu espanto e sua indignação — em que os juízes, comedidos em seus atos e costumes, sóbrios por excelência, ‘falavam nos autos’ e tão só nos autos, isto é, no processo que julgavam. Soava-lhe de extremo mau-gosto a frequência com que magistrados deitavam falação à imprensa.
Nos tempos da ditadura implantada em 1964, havia o ministro Cordeiro Guerra, que combinava destempero verbal e ignorância jurídica. Mas havia também um Ribeiro da Costa, que sintetizava as virtudes do bom juiz: coragem, cultura, recato, simplicidade. Este, o exemplo que ensinava às novas gerações.
Esse decoro e esse recato entram em choque com a intimidade que hoje alguns julgadores cedem a repórteres, no afã de conquistar espaços de evidência, numa mídia tanto poderosa quanto inescrupulosa, ela própria produto das traficâncias do poder – das quais, aliás, nascem muitas nomeações dependentes do crivo do Senado Federal, como as de ministro do STF, membros do Tribunal de Contas e, entre outros, do Procurador Geral da República.
Não bastasse a algaravia partidária do ministro Gilmar Mendes, conhecido como ‘líder da oposição no STF’ (e também cognominado ‘aquele que não disfarça’), uma penca de ministros colegas seus, embora mais cultos e mais comedidos, no esforço por granjear espaço na imprensa oposicionista, fica a dizer que o impeachment não é golpe de Estado, por que está previsto pela Constituição. Ora, até o reino mineral sabe que o impeachment é instituto previsto pela Constituição e dizer apenas isso é dizer a verdade pela metade, o que aumenta a mentira.
Mentira, diga-se, tanto mais grave quanto pode parecer, à sociedade leiga, que se trata de uma prévia aprovação, pela Suprema Corte, de um evidente estupro legal, violência inominável contra a soberania do voto popular.
O golpismo está não no instituto, constitucional, jamais contestado, mas na flagrante ilegalidade de seu apelo, por não haver a presidente incorrido em nenhuma das hipóteses de crime de responsabilidade previstas no art. 85º da Constituição, justificadoras, e apenas elas, do impeachment.
Só uma escandalosa má-fé (posto que não devemos considerar jejuno em direito constitucional um ministro do STF), pode fazer coro à cantilena golpista, juridicamente esfarrapada.
O caráter eminentemente político do apelo ficou patente nas recentes escaramuças na Câmara dos Deputados, quando a indescritível bancada do inqualificável PMDB – em ato de felonia que simboliza seu suicídio moral – invadiu o plenário daquela Casa aos berros de ‘Temer presidente’ pondo de manifesto o caráter objetivo do golpe, sim, do golpe de Estado que não precisou do apelo às armas.
Golpe que é, mediante a cassação do mandato legítimo (ditado por 54 milhões de eleitores) da honrada presidente Dilma, a tomada do poder por um vice sem voto e de honradez na melhor das hipóteses discutível, enquanto é indiscutível a fragilidade moral do deputado Eduardo Cunha, que comanda na Câmara os ritos da cassação da presidente com o mesmo empenho com que, com ostensivo abuso de poder que nem o Ministério Público nem o STF vêem, inviabiliza sua própria cassação.
Assim, na República macunaímica estamos correndo o risco de ver um vice sem voto assumir o cargo de uma presidente reeleita com maioria absoluta de votos!
O incidente, porém, eviscera as entranhas do impasse político atual, revelando à luz do dia os componentes estruturais de uma crise maior.
Independentemente daquele que venha a ser o desfecho imediato da crise política, permanecerá intocada a fratura exposta da crise de legitimidade que corrói os poderes da República, e ameaça a democracia representativa, qual a praticamos.
O caso do lamentável presidente do Conselho Federal da OAB (por sinal, em seu gesto canhestro, esnobado pelo correntista suíço que ainda preside a Câmara dos Deputados) associa oportunismo e má-fé, indicativos também da crise de uma corporação que, quando presidida por Raymundo Faoro, lutou pela democracia e pela legalidade. Aliás, remontando às suas origens, essa havia sido a fonte do PMDB.
A busca de notoriedade a qualquer custo, porém, cobra preço altíssimo à dignidade requerida por algumas funções republicanas.
Essas considerações me ocorrem ao conhecer o relato de reunião de pauta do Jornal Nacional, da Rede Globo descrita pelo jornalista Clóvis Barros Filho (da USP) no livro Devaneios sobre a atualidade do Capital, de sua autoria e de Gustavo Fernandes Dainezi (Editora CDG, Porto Alegre, 2014, p. 22). Relato agora amplamente divulgado (ainda está no ar) pelo site Diário do Centro do Mundo. Lê-se ali:
“(…) vou dar um exemplo [de promiscuidade] que me chocou: fui a uma reunião de pauta do Jornal Nacional. Wiliam Bonner [editor e apresentador] liga para o Gilmar Mendes [ministro do STF], no celular, e pergunta: “Vai decidir alguma coisa de importante hoje? Mando ou não mando o repórter?”[Responde o ministro:]”Depende, se você mandar o repórter, eu decido alguma coisa importante”.
Até aqui não há registro de qualquer reação do ministro, nem tão pouco o diálogo escabroso foi desmentido pelo repórter da todo-poderosa Rede Globo.
O ministro Mendes – conhecido por abastardar o plenário do STF com seus frequentes comícios –aliás, foi há pouco fotografado em restaurante brasiliense conversando com destacados próceres do PSDB momentos antes de, em decisão monocrática, atendendo a pedido do PSDB, suspender a posse de Lula na Casa Civil da Presidência da República e devolver as investigações sobre o ex-presidente para Curitiba.
É sabido, aliás, esse mesmo famoso ministro, valendo-se do direito de vista, impediu, durante cerca de dois anos, que o STF concluísse, quando a votação estava 6 a 2, portando decidida pois o quorum é de 11 votos, o julgamento de ADI que pleiteava a proibição de financiamento de campanhas eleitorais – fundamental para o processo democrático.
Imediatamente após ao convescote e após participar de programa de televisão do candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo e após juncar de obstáculos a posse de Lula na Casa Civil, e não por mero acaso, o ministro viajou a Lisboa onde um seu Instituto promove, financiado por não sei quem, seminário com políticos que lideram no Brasil a tentativa de decretar o impeachment da presidente Dilma, processo que, levado a termo, será presidido pelo presidente do STF, que, aliás, poderá ser chamado a falar sobre o seu mérito.
Entre seus colegas de vilegiatura, encontram-se o candidato Aécio Neves e o senador José Serra (também seu comensal), o qual, aliás, assim como o ministro Tófoli, seu escudeiro, foi recebido no evento com estrondosa vaia ofertada por professores e universitários portugueses, que não perderam a memória sobre o autoritarismo e o fascismo e o papel crucial que nos regimes de exceção cumpre o Poder Judiciário.
Porque as instituições não têm história própria. Sua história é escrita por seus juízes e esses escrevem suas próprias biografias com seus votos e suas sentenças, ditadas pela coragem e a covardia de cada um.
Para cada Evandro e para cada Ribeiro da Costa quantos Mendes teremos de aturar? Para cada Ulisses Guimarães (ou, mais atrás, Adauto Lúcio Cardoso) quantos Eduardos Cunhas e quantos Temer? Para cada Raymundo Faoro e para cada Marcelo Lavenere quantos, como é mesmo o nome do atual presidente do Conselho Federal da OAB? E que dizer da gloriosa ABI, que, depois de presidida por Barbosa Lima Sobrinho, é comandada hoje por um anônimo servidor do monopólio da informação?

sexta-feira, 18 de março de 2016

Duvida-se Ainda, Que Há Golpe Em Marcha?

Abaixo, além da carta aberta de Lula que diz somente querer Justiça, transcrevo decisão de Desembargador da Brasília que cassa a liminar contra a posse de Lula como ministro e transcrevo também título da matéria que prova que, conforme desembargador de Alagoas, o juiz CATTA PRETA (vixe!!!), atropelando todos os trâmites regulamentares, concedeu a liminar 4 (quatro!) minutos antes de receber o processo. Tem-se mais alguma dúvida de que há golpe em marcha? Tudo isto extraído do blog VIOMUNDO de Luiz Azenha.

Desembargador de Alagoas denuncia: Juiz federal de Brasília deu liminar 4 minutos e 19 segundos antes de receber o processo!

publicado em 17 de março de 2016 às 21:50

DESEMBARGADOR DERRUBA LIMINAR CONTRA POSSE DE LULA

“A decisão questionada, tomada em juízo de cognição sumaríssima, em momento de sensível clamor social, tem o condão de acarretar grave lesão à ordem e à economia pública, visto que agrava, ainda mais, a crise política, de governabilidade e de credibilidade, com inegável impacto no panorama econômico do país”, afirmou em despacho Cândido Ribeiro.


Do Instituto Lula:
Carta aberta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  
Creio nas instituições democráticas, na relação independente e harmônica entre os Poderes da República, conforme estabelecido na Constituição Federal.

Dos membros do Poder Judiciário espero, como todos os brasileiros, isenção e firmeza para distribuir a Justiça e garantir o cumprimento da lei  e o respeito inarredável ao estado de direito.

Creio também nos critérios da impessoalidade, imparcialidade e equilíbrio que norteiam os magistrados incumbidos desta nobre missão.

Por acreditar nas instituições e nas pessoas que as encarnam, recorri ao Supremo Tribunal Federal sempre que necessário, especialmente nestas últimas semanas, para garantir direitos e prerrogativas que não me  alcançam exclusivamente, mas a cada cidadão e a toda a sociedade.

Nos oito anos em que exerci a presidência da República, por decisão soberana do povo – fonte primeira e insubstituível do exercício do poder nas democracias – tive oportunidade de demonstrar apreço e respeito pelo Judiciário.

Não o fiz apenas por palavras, mas mantendo uma relação cotidiana de respeito, diálogo e cooperação; na prática, que é o critério mais justo da verdade.

Em meu governo, quando o Supremo Tribunal Federal considerou-se afrontado pela suspeita de que seu então presidente teria sido vítima de escuta telefônica, não me perdi em considerações sobre a origem ou a veracidade das evidências apresentadas.

Naquela ocasião, apresentei de pleno a resposta que me pareceu adequada para preservar a dignidade da Suprema Corte, e para que as suspeitas fossem livremente investigadas e se chegasse, assim, à verdade dos fatos.

Agi daquela forma não apenas porque teriam sido expostas a intimidade e as opiniões dos interlocutores.

Agi por respeito à instituição do Judiciário e porque me pareceu também a atitude adequada diante das responsabilidades que me haviam sido confiadas pelo povo brasileiro.

Nas últimas semanas, como todos sabem, é a minha intimidade, de minha esposa e meus filhos, dos meus companheiros de trabalho que tem sido violentada por meio de vazamentos ilegais de informações que deveriam estar sob a guarda da Justiça.

Sob o manto de processos conhecidos primeiro pela imprensa e só depois pelos diretamente e legalmente interessados, foram praticado atos injustificáveis de violência contra minha pessoa e de minha família.

Nesta situação extrema, em que me foram subtraídos direitos fundamentais por agentes do estado, externei minha inconformidade em conversas pessoais, que jamais teriam ultrapassado os limites da confidencialidade, se não fossem expostas publicamente por uma decisão judicial que ofende a lei e o direito.

Não espero que ministros e ministras da Suprema Corte compartilhem minhas posições pessoais e políticas.

Mas não me conformo que, neste episódio, palavras extraídas ilegalmente de conversas pessoais, protegidas pelo Artigo 5o. da Constituição, tornem-se objeto de juízos derrogatórios sobre meu caráter.

Não me conformo que se palavras ditas em particular sejam tratadas como ofensa pública, antes de se proceder a um exame imparcial, isento e corajoso do levantamento ilegal do sigilo das informações.

Não me conformo que o juízo personalíssimo de valor se sobreponha ao direito.

Não tive acesso a grandes estudos formais, como sabem os brasileiros. Não sou doutor, letrado, jurisconsulto. Mas sei, como todo ser humano, distinguir o certo do errado; o justo do injusto.

Os tristes e vergonhosos episódios das últimas semanas não me farão descrer da instituição do Poder Judiciário. Nem me farão perder a esperança no discernimento, no equilíbrio e no senso de proporção de ministros e ministras da Suprema Corte.

Justiça, simplesmente justiça, é o que espero, para mim e para todos, na vigência plena do estado de direito democrático.

Luiz Inácio Lula da Silva

quarta-feira, 16 de março de 2016

HENFIL, UM VISIONÁRIO

O cartuista Henfil, precocemente falecido, em uma das suas memoráveis "tirinhas", nos idos de 1980, já denunciava, com sua deliciosa sátira, o processo persecutório que se desenrola por todo esse tempo e até então contra o ex-presidente Lula. Deliciemo-nos com a arte e a perspicácia do saudoso craque das artes gráficas. Deixo de dar o crédito ao autor da postagem original por ter perdido a fonte, mas acredito que devo ter extraído do blog Conversa Afiada, que o autor da postagem me desculpe.

domingo, 13 de março de 2016

REDE GLOBO MENTE E CENSURA DEFESA DE LULA

Reproduzo matéria publicada no Conversa Afiada, em que mais, uma vez, uma rede de televisão utiliza uma concessão de serviço público para disseminar notícias fraudulentas com claros objetivos de denegrir a imagem de um ex-presidente e afrontar claramente a regra do jogo democrático. E o estrago já está feito! O claro objetivo - ALIMENTAR AS MANIFESTAÇÕES marcadas para hoje, domingo - foi alcançado.

 O Conversa Afiada publica e-mail que recebeu do Instituto Lula e os documentos relativos à fraude da Globo e o texto da resposta de Lula que o Bonner vai ler.
Companheiros,
A Globo fraudou um e-mail da Globonews para lançar uma cortina de fumaça em tono do pedido de direito de resposta do Lula.
As provas do crime estão em nota que está no site do Instituto Lula, junto com o texto censurado da resposta de Lula ao Jornal Nacional de quinta-feira (10) e a carta-protocolo do pedido de direito de resposta.
Por alguma razão (qual seria?) o site do IL caiu.
Envio os três anexos: 
Nossa resposta de hoje denunciando a fraude e a censura da Rede Globo
O texto do direito de resposta do Lula censurado pela Globo
A carta-protocolo dos advogados ã Globo.
Agradeço a atenção de todos.
As ditaduras, sejam as políticas, sejam as midiáticas, cedo ou tarde chegam ao fim.
O Jornal Nacional da Rede Globo mentiu na edição deste sábado, e isto não surpreende.
A VERDADE: A reportagem do Jornal Nacional NÃO PROCUROU  a assessoria do Instituto Lula, na quinta-feira (10 de março) para comentar  a denúncia dos procuradores do MP de São Paulo contra o ex-presidente LULA.
A MENTIRA:  A mensagem de e-mail exibida no Jornal Nacional deste sábado é de um repórter da GloboNews, e não do JN ou de qualquer outra redação da REDE GLOBO.
A PROVA DA MENTIRA:

Ao reproduzir parcialmente o e-mail deste jornalista, a REDE GLOBO apagou deliberadamente o logotipo da GLOBONEWS, para enganar o público.
Os contatos entre a assessoria de Imprensa do Instituto Lula e a redação do Jornal Nacional sempre foram feitos diretamente.
É degradante que a REDE GLOBO utilize o nome de um profissional da Globo News para montar a farsa que foi ao ar no JN deste sábado.
O mesmo vale para as mensagens enviadas à assessoria de imprensa dos advogados de Lula, e que não mencionavam reportagem no Jornal Nacional sobre a denúncia do MP.
O que o Jornal Nacional tentou fazer na edição deste sábado foi lançar uma cortina de fumaça sobre as mentiras e gravíssimos erros cometidos na edição de quinta-feira.
2) Os advogados do ex-presidente Lula preparam as medidas judiciais cabíveis diante da recusa da REDE GLOBO  em atender ao Direito de Resposta e para reparar as novas ofensas dirigidas neste sábado ao ex-presidente Lula.
3) A solicitação de Direito de Resposta do ex-presidente Lula foi feita nos termos da lei, tempestivamente, como se pode confirmar na carta dos advogados, que está anexada a esta nota.
A reportagem de quinta-feira é parcial e caluniosa porque, ao longo de 9 minutos de reportagem, o ex-presidente Lula foi acusado 18 vezes (sem fundamento e sem resposta) pela prática de 10 diferentes crimes, foi alvo de 9 ofensas e 2 calúnias, a mais grave e desrespeitosa, quando o repórter comparou Lula a um traficante de drogas, calúnia que extrapola até mesmo as leviandades contidas nos autos da denúncia.
4) O texto de resposta do ex-presidente Lula à Rede Globo não tem ironias nem se alonga em comentários críticos ao jornalismo da Rede Globo, como alegou a emissora para censurá-lo.
O texto tem 950 palavras. Na reportagem de 10 de março, o apresentador Willian Bonner, o repórter José Roberto Burnier e os promotores José Carlos Blat e Cássio Conserino utilizaram 1.085 palavras para -- sem provas e sem defesa – ofender, difamar e caluniar o ex-presidente, sem qualquer respeito ao equilíbrio jornalístico.
O que Lula aponta na resposta censurada é a parcialidade do Jornal Nacional – veiculado por uma concessionária de serviço público – que não respeitou nem seus direitos nem o direito do público à informação correta.
O que a Rede Globo chamou neste sábado de “ironias” são as duras verdades que a emissora se recusa a ouvir.
5) A truculenta reação da REDE GLOBO a uma solicitação de Direito de Resposta, apresentada nos termos da Lei, expõe mais uma vez a extrema dificuldade desta emissora em lidar com os princípios democráticos que norteiam a liberdade de imprensa, e que deveriam ser observados com rigor numa CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO.
Entre estes princípios estão o equilíbrio editorial,  o respeito ao contraditório, o rigor na apuração, o juízo imparcial da notícia e a serena humildade diante dos fatos.
Na parte de sua resposta que foi censurada, Lula recorda que a REDE GLOBO levou 30 anos para pedir desculpas ao povo brasileiro por ter apoiado o golpe 64, praticando um jornalismo de um lado só ao longo de duas décadas.
O jornalismo arrogante, de um lado só, voltou às telas do Jornal Nacional neste sábado, por meio de um dos porta-vozes daqueles tempos sombrios. Esta é uma noite para lembrar que as ditaduras, sejam as políticas, sejam as midiáticas, cedo ou tarde chegam ao fim.

LEIA AQUI A RESPOSTA DO EX-PRESIDENTE LULA AO JORNAL NACIONAL:

“Eu, Luiz Inácio Lula da Silva, e minha mulher, Marisa Letícia, não somos e nunca fomos donos de nenhum apartamento tríplex no Guarujá nem em qualquer outro lugar do litoral brasileiro.
Meu patrimônio imobiliário hoje é exatamente o mesmo que eu tinha ao assumir a presidência da República, em janeiro de 2003:
O apartamento onde moro com Marisa, e onde já morávamos antes do governo,  e o rancho “Los Fubangos”, um pesqueiro na represa Billings.
Ambos adquiridos a prestações. Também temos dois apartamentos de 70 metros quadrados que Marisa recebeu em permuta por um lote que ela herdou da mãe.
Tudo em São Bernardo do Campo. Tudo registrado em nosso nome no cartório e na declaração anual de bens.
Esta é a verdade dos fatos, em sua simplicidade: entrei e saí da Presidência da República com os mesmos imóveis que adquiri ao longo da vida, trabalhando desde criança, como sabem os brasileiros.
Não comprei nem ganhei apartamento, mansão, sítio, fazenda, casa de praia, no Brasil ou no exterior.
Jamais ocultei patrimônio nem registrei propriedade particular em nome de outras pessoas.
Nunca registrei nada em nome de empresas fictícias com sede em paraísos fiscais, artifício utilizado por algumas das mais ricas famílias deste País para fugir ao pagamento de impostos.
As informações sobre o patrimônio do Lula – verdadeiras, fidedignas, documentadas – sempre estiveram à disposição do Ministério Público e da imprensa, inclusive da Rede Globo.
Estas informações foram deliberadamente ocultadas do público na reportagem do Jornal Nacional que apresentou as acusações do Ministério Público de São Paulo.
Eu não fui procurado pela Globo para apresentar meu ponto de vista. Ninguém da minha assessoria foi procurado. O direito ao contraditório foi sonegado.
Alguém se apropriou indevidamente do meu direito de defesa.
Não é a primeira vez que isso acontece e certamente não será a última.
Mas eu fiquei indignado ao ver minha mulher e meu filho sendo retratados na televisão como se fossem criminosos.
Mesmo na mais acirrada disputa política – e o jornalismo não está acima dessas disputas – nada justifica envolver a família, a mulher, os filhos, como ocorreu nesse caso.
Fiquei indignado porque, ao longo de 9 minutos, o apresentador William Bonner e o repórter José Roberto Burnier me acusaram 18 vezes de ter cometido 10 crimes diferentes; sem nenhuma prova, endossando as leviandades de três membros do Ministério Púbico de São Paulo.
Reproduziram ofensas, muitas ofensas, a partir de uma denúncia que sequer foi aceita pela juíza. E ainda por cima, denúncia de um promotor que já foi advertido pelo Conselho Nacional do Ministério Público, porque atuou fora da lei neste caso.
A Rede Globo me conhece o suficiente para fazer uma avaliação equilibrada das acusações lançadas por aquele promotor, antes de reproduzi-las integralmente pelas vozes de William Bonner e Roberto Burnier.
A Rede Globo recebeu, desde 31 de janeiro, todas as informações referentes ao tríplex, com documentos que comprovam que nem eu nem Marisa nem nosso filho Fabio somos donos daquilo. É uma longa e detalhada nota, chamada “Os documentos do Guarujá: desmontando a farsa”.
Cheguei a abrir mão do meu sigilo fiscal e anexei a esta nota parte de minha declaração de bens.
Quando divulgamos este documento esclarecedor, o Jornal Nacional fez uma série de matérias tentando desqualificar o que estava dito lá. Duvidaram de cada detalhe, procuraram contradições, chegaram a distorcer uma entrevista do meu advogado.
Quanta diferença...
Na reportagem sobre a denúncia do procurador, nada foi questionado. Tudo foi endossado e ratificado como se fosse absoluta verdade.
A Rede Globo sempre poderá dizer que estava apenas “retratando os fatos”, “prestando informações à sociedade”,  “cumprindo seu dever jornalístico”.
Só não vai conseguir explicar ao povo brasileiro a diferença gritante de tratamento: quando acusam o Lula, é tudo verdade; quando o Lula se defende, é tudo suspeito.
Em 40 anos de vida política, aprendi a lidar com o preconceito, com a inveja e até com o ódio político.
Mas não me conformo, como ex-presidente desse imenso país chamado Brasil, não posso me conformar de ser comparado a um traficante de drogas, como aconteceu no final da reportagem.
Essa comparação ofensiva, injuriosa, caluniosa, não está nos autos da denúncia do Ministério Público.
Não sei quem decidiu incluir isso na reportagem, mas posso avaliar seu caráter.
Se esta mensagem está sendo lida hoje na Rede Globo é por uma decisão da Justiça, com base na Lei do Direito de Resposta, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma Rousseff no final do ano passado.
Esta lei garante que a Liberdade de Imprensa seja realmente um direito de todos e não um privilégio daqueles que detém os meios de comunicação.
É ela que nos permite enfrentar a ocultação de informações, a sonegação do contraditório, a falsidade informativa, a lavagem da notícia.
Estes vícios foram sistematicamente praticados pelos grandes veículos de comunicação do Brasil durante a ditadura e fizeram tão mal ao País quanto a censura, que abolimos na Constituição de 1988.
A Rede Globo levou mais de 30 anos para pedir desculpas ao País por ter apoiado a ditadura, praticando um jornalismo de um lado só. Graças à lei do Direito de Resposta, não tenho de esperar tanto tempo para responder às ofensas dirigidas a mim e a minha família no Jornal Nacional.
Eu não estou usando este direito de resposta para me defender apenas, e a minha família. É para defender a democracia, o estado de direito e a própria liberdade de imprensa, que só é verdadeira quando admite o contraditório e respeita a verdade dos fatos.
Quando estes princípios são ignorados, em reportagens como aquela do Jornal Nacional, o maior prejudicado não é o Lula, é cada cidadão e a sociedade, é a democracia”.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA