terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Tropicalismo, Nara Leão, Especulação Imobiliária

De há muito que não consigo ler integralmente o que Caetano Veloso escreve, por razões diversas, especialmente quando se arvora a crítico político (de política partidária). Sim, ele é aquele mesmo que foi grosseiro com o Presidente Lula e que envergonhou até a sua própria mãe. Mas, desta vez, li e gostei do que está expressado em Nara Tropical, em A TARDE, de domingo p. passado. Além da bonita homenagem que presta a um dos nomes femininos, talvez o mais importante, da bossa nova, que é Nara Leão, (quantas boas lembranças me trouxe), ainda se posiciona contrariamente à adoção do nome Tropicália, movimento, mais que musical, revolucionário, que rompeu com tabus e preconceitos da época, inspirado em toda aquela efervescência mundial de sublevação da ordem mundial que aconteceu pelos fins do ano 60 e por parte do ano 70 – era tão bom “caminhar contra o vento...”, para um condomínio “nas bordas da floresta que fica entre a Orla e a Avenida Paralela, na altura do Parque de Pituaçu” e que “nomes de outras canções minhas estavam sugeridos para praças internas”. A que ponto chega a petulância da especulação imobiliária: desmata a floresta, substitui por concreto e dá-se-lhe o nome de tropicália, que vem de tropical, dos trópicos, de sol, mar, florestas...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A idade, a violência, o fim da Boemia




Estávamos, num certo dia, como costumamos, de vez em quando fazer, e de dia, (que no popular quer dizer, durante o dia), a papear sobre diversos assuntos, quando se levantou a tese do fim da boemia.

A tese deixou-me embaraçado e pensativo, por que fim? O questionamento do meu interlocutor, pareceu-me mais uma preocupação de ordem particular, uma coisa bem pessoal; afinal ele, como nós outros daquela confraria, já atravessamos o cabo da boa esperança, o estreito de Ormuz (nada a ver com trânsito de grandes navios petroleiros que abastecem, principalmente, os mercados norte-americano e europeu), e outros obstáculos mais. Até que eu concordaria se, como já disse, levarmos simplestemente para o plano pessoal, o particular. Mas Boemia (é com maiúscula mesmo!), é, tal qual é a prostituição, no que respeita à profissão, a mais antiga e eterna parceira da manifestação humana da arte, do lazer, do entretenimento. Sem a boemia, não teriam existido os(as) literatos(as), os(as) grandes artistas gráficos(as), os músicos, os compositores - vou deixar de usar as (as), pois já deixei claro minha intenção de não discriminar as mulheres, afinal, para nós homens, que me desculpem os gays, é a chama do fogo ardente de uma paixão: mulher, paixão... e, com isto, está criada a boemia. Agora, querendo finalizar, ou sair deste devaneio, deste gostoso retrocesso cronológico, volto a dizer, Boemia é a mais antiga forma de manifestação cultural e de entretenimento do homem (e da mulher também, alguma questão?); afinal, desde que há inscrições ruprestres, alguma forma de fermentado e outras coisitas más, deve existir a Boemia.

Bem, voltemos ao nosso tempo e nossa realidade. Como havia entendido logo, logo, o nosso amigo quis referir-se a nós, à nossa contemporaneidade. Desta maneira, não há que se contestar coisa alguma, o fim da Boemia, para nós, é fato. Pô, também, meu Rei, a eternindade existe para o homem, enquanto instituição humana. Para nós, simples mortais, assim como quase tudo, (digo isto para não melindrar os que acreditam na vida depois da morte), tem fim; afinal, originamos de uma centelha, chegamos ao auge de uma grande e duradoura, embora finita, chama que, em determinado instante, entra num processo de dissipação, somente esta verdade já seria bastante para explicar a constatação do nosso amigo. Mas há fatores outros, bem contemporâneos para nos desestimular, nos desencorajar, para nos atemorizar, para nos afugentar, para afugentar o nosso espírito notívago (e aí mora a essência do questionamento do meu interlocutor: vida noturna, a noite é criança.). O ar provinciano, doméstico que respirávamos na Salvador dos 60-70¹s e, quem sabe, até os 80¹s, não mais existe. Transitávamos por aquelas vielas, becos, ladeiras, de todo o centro histórico, pela Cidade Baixa: Comércio, Bonfim, Ribeira, com a mais da desavergonhada tranquilidade; entrávamos e saíamos de bar em bar, como se extensão fosse de propriedade nossa: o feijão de Alaíde, o feijão de Vital, os inferninhos, o charriot (hoje, o plano inclinado), a Rua Chile, Avenida Sete (elas com configurações bem diferentes das de agora)...as barracas de praias - faziam-se devaneios até às altas horas- e elas foram derrubadas! (a troca de que?); a Barraca de Da. Sildefina, (atrás do C. Português); a Barraca de Nogueira, em Itapuã. Que é do Clube Português e seu baile a Yemanjá?; do velho Caneco? (Nos seus áureos tempos, somente servia chopp, (nada de cerveja em garrafa ou, pior, em lata) e bem gelado; bigode ao gosto do frequês); o feijão do Quatro Rodas (prá aqueles que não sabem, quatro rodas vem de um restaurante instalado numa velha kombi ou num caminhão); os bailes de carnavais nos clubes sociais (ao que parece somente subsistiram a Associação Atlética (parcialmente) e o Iate Clube (mas quem podia ou pode acessar aquela intransponível fortaleza da elite baiana - fiquemos somente neste termo. (As barracas de praia teriam invadido terreno da União, da Marinha, mas o Iate Clube, não!, assim como um portentoso hotel no Rio Vermelho, construído sobre as pedras do lindo mar da Bahia) e, o pior de tudo, a grande vilã, a violência urbana. Sim, dirão, mas sempre houve violência, sempre se roubou, sempre se matou, contudo a intensidade e frequência com que se assalta, se mata, se infringe; com que se banaliza o homicídio, a extinção de uma vida humana é incomparável com qualquer época anterior.

Amigo, a materialização da Boemia acabou para nós e, assim como, dizem, o Espírito é eterno, o nosso espírito boêmio ainda vive, vivinho da silva, dentro de nós.

Vivamos com ele na maneira e no tempo em que nos permitirem, sem que seja preciso pedir, com súplica, "regresso", sem precisar pedir "inscrição", como fez um boêmio em sua volta à boemia.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Um Natal (in) Feliz

Não há quem imagine o assombro, seguido de depressão, que me causa este tal “espírito de Natal”. O “espírito do Natal”, que é precedido de massiva e alucinante publicidade, envolto num intragável repertório de musicas natalinas, (excluo unicamente aquela que diz “...eu pensei que todo mundo fosse filho de papai Noel...”) leva a sentir-me como se eu, de outro planeta, estivesse assistindo a uma representação teatral da hipocrisia dos terráqueos e de adoração a um deus, o deus da gastança, do espanjamento, da extravagância.
Em tenra idade, cheguei a ser encantado com o Natal. (Ah! Este termo designa tantos significados, e o seu principal conceito é completamente abandonado). Lembro-me muito bem de que consegui, numa remota noite de Natal, “ver” Papai Noel, ou melhor “ver” seu vulto, o seu característico perfil; o seu pretenso saco de brinquedos era um balão gigante e que lhe fazia, ainda, a função de transportador; foi extasiante “vê-lo”; foi como se eu estivesse assistindo a um filme do tema com toda a sua coreografia e cenário que saíam da penumbra do pequeno vão, onde dormíamos todos: eu, minha mãe e o irmão menor, local este que se transformara milagrosamente num campo de aterrissagem do balão estufado e repleto de brinquedos e seu célebre passageiro. Tudo se passara num átimo, ao mesmo tempo fugaz e eterno, tanto que até então encontra-se “filmado” em meus mais íntimos “arquivos”. Filme de final feliz?  Não! O dia amanhece, as luzes do cinema se apagam. Reencontro-me com a realidade. Saio então do cinema com a sensação de que o filme acabou e com isto o sentimento da decepção entre a ficção e a realidade, do contraste entre a pobreza (com dignidade, diga-se de passagem) real e o luxo e a riqueza que aquele velho (velhinho prá uns) do ridículo Rô, Rô... fantasiadamente transmite.
E é aí que mora o perigo. Nessas épocas, parece (ou quer-se fazer parecer) que todo o mundo é solidário, que todo o mundo pode desfrutar de lautos jantares, mesas repletas; que todo o mundo pode consumir alucinadamente e para isto os órgãos de comunicação social, as empresas de publicidade capricham nas mensagens: faça seu Natal aqui; o seu Natal está aqui. Enfim, o Natal está nas lojas em geral; o Natal é o consumismo desvairado. A razão principal da festa é simplesmente desfocada.   
Quão “careta” é desejar-se Feliz Natal.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A PRIVATARIA TUCANA

Não vou fazer comentário algum, sobre o que segue, a não ser usar uma interrogação para introduzir o texto: e se o título do livro fosse A PRIVATARIA PETISTA, o que estaria acontecendo hoje na grande imprensa?
O livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., foi lançado há quatro dias e já é um fenômeno de vendas cercado por um muro de silêncio. Produto de doze anos de trabalho - e, sem dúvida, a mais completa investigação jornalística feita sobre o submundo da política neste século -, o livro consegue mapear o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria sido montado em torno do tucano José Serra. De quebra, coloca o PT em duas saias justas. Ao atirar para os dois lados, o livro-bomba do jornalista acabou conseguindo a façanha de ser ignorado pela mídia tradicional, pelo PT e pelo PSDB.
Maria Inês Nassif
O livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., foi lançado há quatro dias e já é um fenômeno de vendas cercado por um muro de silêncio. Produto de doze anos de trabalho - e, sem dúvida, a mais completa investigação jornalística feita sobre o submundo da política neste século -, o livro consegue mapear o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro montado em torno do político tucano José Serra - ex-deputado, ex-senador, ex-ministro, ex-governador, ex-prefeito e candidato duas vezes derrotado à Presidência da República. De quebra, coloca o PT em duas saias justas. A primeira delas é a constatação de que o partido, no primeiro ano de governo Lula, "afinou" diante do potencial de estrago da CPMI do Banestado, que pegou a lavanderia de vários esquemas que, se atingiam os tucanos, poderiam também resvalar para figuras petistas. O segundo mal-estar com o PT é o ultimo capítulo do livro, quando o autor conta a "arapongagem" interna da campanha do PT, que teria sido montada para derrubar o grupo ligado ao mineiro Fernando Pimentel da campanha da candidata Dilma Rousseff. Amaury aponta (como ele já disse antes) para o presidente do partido, Rui Falcão. Falcão já moveu um processo contra o jornalista por conta disso. O jornalista mantém a acusação.
Ao atirar para os dois lados, o livro-bomba do jornalista, um dos melhores repórteres investigativos do país, acabou conseguindo a façanha de ser ignorado pela mídia tradicional e igualmente pelo PT e pelo PSDB. O conteúdo de seu trabalho, todavia, continua sendo reproduzido fartamente por sites, blogs e redes sociais. Esgotado ontem nas livrarias, caminha para sua segunda edição. E já foi editado em e-book.
Os personagens do PSDB são conhecidos. O ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, aparece como o "engenheiro" de um esquema que operou bilhões de dólares durante as privatizações e os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. A mesma tecnologia financeira usada por Oliveira foi depois copiada pela filha de Serra, Verônica, e seu marido, Alexandre Burgeois. Gregório Marin Preciado surge também como membro atuante do esquema. Ele é casado com uma prima do tucano nascido na Móoca, ex-líder estudantil e cardeal tucano.
Embora esteja concentrado nesse grupo específico do tucanato - o empresário Daniel Dantas só aparece quando opera para o mesmo esquema -, o livro não poupa gregos, nem troianos. A documentação da Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) do Banestado, que forneceu os primeiros documentos sobre lavagem de dinheiro obtido ilegalmente das privatizações, é o pontapé inicial do novelo que se desenrola até as eleições presidenciais do ano passado. A comissão, provocada por denúncias feitas pela revista Isto É, em matéria assinada pelo próprio Ribeiro Jr. e por Sônia Filgueiras, recebeu da promotoria de Nova York, e foi obrigada a repassá-lo à Justiça de São Paulo, um CD com a movimentação de dinheiro de brasileiros feita pelo MTB Bank, de NY, fechado por comprovação de que lavava dinheiro do narcotráfico, do terrorismo e da corrupção, por meio de contas de um condomínio de doleiros sul-americanos.
O material era uma bomba, diz o jornalista, e provocou a "Operação Abafa" da comissão de inquérito, pelo seu potencial de constranger tanto tucanos, como petistas (a CPMI funcionou no primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003).
Amaury Ribeiro conta de forma simples intrincadas operações de esfria/esquenta dinheiro ilegal - e, de quebra, dá uma clara ideia de como operava a "arapongagem tucana" a mando de Serra. Até o livro, as acusações de que Serra fazia dossiês para chantagear inimigos internos (do PSDB) e externos eram só folclore. No livro, ganham nome, endereço e telefone.
Nos próximo parágrafos, estão algumas das histórias contadas por Amaury Ribeiro Jr., com as fontes. Nada do que aponta deixa de ter uma comprovação documental, ou testemunhal. É um belo roteiro para a grande imprensa que, se não acusou até agora o lançamento do livro, poderia ao menos tomá-lo como exemplo para voltar a fazer jornalismo investigativo.
1. A arapongagem da turma do José Serra (pág. 25) - Quando ministro da Saúde do governo FHC, José Serra montou um núcleo de inteligência dentro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (a Gerência Geral da Secretaria de Segurança da Anvisa). O núcleo era comandado pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), também delegado. O grupo foi extinto quando a imprensa denunciou que o grupo bisbilhotava a vida dos funcionários. O funcionário da Agência Brasileira de Informações Luiz Fernandes Barcellos (agente Jardim) fazia parte do esquema. Também estava lá o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Graças Souza.
Este núcleo, mesmo desmontado oficialmente, teria sido usado por Serra, quando governador, para investigar os "discretos roteiros sentimentais" do governador de Minas, Aécio Neves, no Rio de Janeiro. De posse do dossiê, Serra teria tentado chantagear Aécio para que o governador mineiro não disputasse com ele a legenda do PSDB para a Presidência da República. O agente Jardim, segundo apurou Amaury, fez o trabalho de campo contra Aécio. (Fontes: O agente da Cisa Idalísio dos Santos, o Dadá, conseguiu informações sobre o núcleo de arapongagem de Serra e teve a informação confirmada por outros agentes. Para a "arapongagem" contra Aécio, o próprio Palácio da Liberdade).
2. O acordo entre Serra e Aécio (págs. 25 a 28) - Por conta própria, Ribeiro Jr., ainda no "Estado de Minas" e sem que sua apuração sobre a arapongagem de Serra tivesse sido publicada, retomou pauta iniciada quando ainda trabalhava no "Globo", sobre as privatizações feitas no governo FHC. Encontrou a primeira transação do ex-tesoureiro de campanha de FHC e Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira: a empresa offshore Andover, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, que injetava dinheiro de fora para outra empresa sua, em São Paulo, a Westchester. (Fontes: cartórios de títulos e documentos e Juntas Comerciais de São Paulo e do Rio).
Nos mesmos papéis, encontrou outro personagem que usava a mesma metodologia de Oliveira: o genro de Serra, Alexandre Bourgeois, casado com Verônica Serra. Logo após as privatizações das teles, Bourgeois abriu duas off-shores no mesmo paraíso fiscal - a Vex Capital e a Iconexa Inc, que operavam no mesmo escritório utilizado pelo ex-tesoureiro, o do Citco Building. (Fonte: 3° Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo).
Amaury ligou para assessoria de Serra no governo do Estado e se deu mal: as informações, das quais queria a versão do governador, serviram para que o tucano paulista ligasse para Aécio e ambos aparassem as arestas. O Estado de Minas não publicou o material.
3. Ricardo Sérgio de Oliveira, Carlos Jereissati e a privatização das teles - O primeiro indício de que a privatização das teles encheu os cofres de tucanos apareceu no relatório sobre as movimentações financeiras do ex-caixa de campanha Ricardo Sérgio de Oliveira que transitou pela CPMI do Banestado. A operação comprova que Oliveira recebeu propina do empresário Carlos Jereissati, que adquiriu em leilão a Tele Norte Leste e passou a operar a telefonia de 16 Estados. A offshore Infinity Trading (de Jereissati) depositou US$ 410 mil em favor da Fanton Interprises (de Ricardo Sérgio) no MTB Bank, de Nova York.
Comprovação do vínculo da Infinity Trading com Jereissati: Relatório 369 da Secretaria de Acompanhamento Econômico; documentos da CPMI do Banestado.
Comprovação do vínculo de Oliveira com a Franton: declaração do próprio Oliveira, à Receita Federal, de uma doação à Franton, em 2008.
4. Quando foi para a diretoria Internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio tinha duas empresas, a Planefin e a RCM. Passou a administração de ambas para a esposa, a desenhista Elizabeth, para assumir o cargo público. Em 1998, a RCM juntou-se à Ricci Engenharia (do seu sócio José Stefanes Ferreira Gringo), para construir apartamentos. Duas torres foram compradas pela Previ (gerida pelo seu amigo João Bosto Madeira da Costa) ainda na maquete. A Planefin entrou no negócio de Intenet recebeu líquido, por apenas um serviço, R$ 1,8 milhão do grupo La Fonte, de Carlos Jereissati, aquele cujo consórcio, a Telemar, comprou a Tele Norte Leste (com a ajuda de Ricardo Sérgio, que forneceu aval do BB e dinheiro da Previ à Telemar).
5. Em julho de 1999, a Planefim comprou, por R$ 11 milhões, metade de um prédio de 13 andares no Rio, e outra metade de outro edifício em Belo Horizonte. As duas outras metades foram compradas pela Consultatum, do seu sócio Ronaldo de Souza, que morreu no ano passado. Quem vendeu o patrimônio foi a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, reduto tucano. O dinheiro para pagar a metade de Ricardo Sérgio nos imóveis veio da Citco Building, nas Ilhas Virgens Briânicas, a mesma "conta-ônibus" de doleiros que viria a lavar dinheiro sul-americano sujo, de várias procedências.
Amanhã, a Carta Maior contará o que o livro de Amaury Ribeiro Jr. revela das operações feitas pela filha e genro de Serra, Verônica e Alexandre Bourgeois, e pelo primo Gregório Marín Preciato.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A DOENÇA DE LULA E AS AVES DE RAPINA

Passava por uma rua da Pituba e ouvi um transeunte (vá prá lá, com seus termos!) num irado desabafo, por causa da doença de Lula, vociferar: “ele que vá se tratar pelo SUS...ele agora vai pagar tin-tim por tin-tim tudo que fez...”, O cidadão (êpa!) destilava toda sua ira baseada principalmente no grande mote que a grande imprensa vem reverberando e que teve origem numa postagem, numa dessas redes sociais, de um “representante da juventude do PSDB” onde determina que o ex-presidente deve cuidar  do câncer de que é acometido pelos serviços do SUS, como se fosse Lula o responsável pelo estado causado por desmandos que datam de remotas eras. Já senti vontade de me pronunciar sobre esta questão, principalmente porque tenho ouvido esta mesma cantilena de “formadores de opinião” da grande imprensa; essa imprensa que só conhece liberdade se for para dizer irresponsavelmente, até, o que quer sem os cuidados naturais com a ética e a verdade dos fatos; que não produzem notícias, mas, sim, peças acusatórias desprovidas de elementos que sustentem verdades; um sem fim de destruição de honra alheia. Agora, mesmo, tenho anotado comentários de “jornalistas”, nos quais constam: agora, ele vai poder parar de tomar seus goles”; por que ele não se trata pelo SUS?...
E veio a calhar o comentário de Fátima Oliveira, médica, no Jornal O TEMPO, publicado no Blog de Luis Nassif, cujos termos eu transcrevo parcialmente:

“...Pelo exposto, conclui-se que a autonomia, no Brasil, alicerça dois direitos constitucionais: a dignidade da pessoa e a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem, mesmo quando titulares de tais direitos são figuras públicas. Como pode uma “pessoa pública” – a exemplo de parlamentares e governantes – ter direito a tais inviolabilidades?
Ora, ser uma “pessoa pública” não é condição para perder direitos, embora incorpore mais deveres. Uma pessoa pública em exercício de mandato eletivo deve explicações dos seus atos ao povo. Elementar: foi eleita para representar o povo ou governá-lo. E como tal está obrigada a prestar contas do que diz respeito à sua vida pública, ainda que seja na esfera privada, se repercutir na esfera pública.
As reflexões expostas tiveram como ponto de partida a recente polêmica (terá sido uma polêmica?) sobre a autonomia de que o ex-presidente Lula é titular, como qualquer cidadão do nosso país, de livremente escolher se quer tratar a sua doença, como e onde, segundo as suas posses.
As tentativas de linchamento moral e político, o desrespeito à vulnerabilidade de uma pessoa doente diante da medicina e da ciência não são apenas cruéis, são criminosos e podem aportar repercussões desfavoráveis na resposta ao tratamento. A má-fé, com o intuito de desmoralizar e vulnerabilizar, não pode ser aceita como algo normal numa democracia.
Só o preconceito de classe, uma das expressões da luta de classes, contra um sertanejo nordestino originariamente pobre e retirante que, pelo voto popular, presidiu o Brasil por duas vezes e ainda elegeu sua sucessora, explica que gente que se diz “bem-nascida” e que, mesmo quando come sardinha, diz que arrota caviar exija que Lula vá se tratar no SUS quando essa não foi a escolha que ele fez! Acessar o SUS é um direito, e não uma obrigação! Pero, a origem de classe é eterna…
Quem diz que a opressão de classe não existe e que a luta de classes acabou, a expressão “Lula, faça o tratamento pelo SUS!” desmente, além do que é reveladora de uma ignorância monumental sobre o SUS que, apesar das dificuldades e até sabotagens de classe, o hoje é melhor do que qualquer dia da era pré-SUS, por paradoxal que possa parecer!
Ao acabar com a figura do indigente na saúde, o SUS é a política pública que mais conferiu cidadania ao conjunto do povo brasileiro. Talvez resida aí o motivo pelo qual o SUS tem tantos inimigos. De classe! (O blogueiro é quem dá o destaque em negrito).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

DIA DO IDOSO

Não poderia deixar passar em branco o dia do Idoso, que é comemorado no dia primeiro deste mês, coisa criada pela ONU, “a fim de qualificar a vida dos mais velhos, através da saúde e da integração social”. A condição de idoso é deveras complexa. Posso dizer com todo conhecimento de causa: é complexa, contradizente, é estonteante, perturbadora, é gratificante é; acima de tudo, de encher de brios aquele que a alcança. Cito estes adjetivos todos e caberiam muitos outros mais para tentar expressar o meu convívio com esta situação; as sensações, as atuais ambições (completamente diferentes de tempos atrás); as desambições, etc.
Eu costumo dizer, para consignar muito bem o que é ser idoso, em minha opinião, que me levanto da cama, pela manhã, achando-me ter vinte ou trinta anos de idade; no entanto, ao olhar-me ao espelho, a minha idade, de  certa forma decepcionante, quadruplica-se.
 Também, é do meu hábito, criticar certas pessoas idosas que dizem que “velhice é cabeça”, querendo dizer com isto que basta mentalizar-se que é jovem para que jovem seja. Não! Velhice, é velhice e não tem retrocesso.
Mas não podemos, logicamente, nos entregar. A revista MUITO do domingo passado (23/10) apresentou uma reportagem nominada “Melhor idade” e encontro as palavras de Da. Maria do Loreto, 76 anos: “a cabeça continua de 15 anos, embora o corpo não, porque este reclama do cansaço e o joelho dói” (parecem bem como as minhas palavras, não?).
Bem, como ia dizendo, não podemos nos entregar; devemos viver a vida e disto não abro mão, mas devemos viver, viver bem, respeitando nossas limitações físicas.
Sem querer ficar remoendo nostalgias, “a olhar fotos amareladas pelo tempo”, tenho orgulho de ter podido alcançar esta fase, com relativo grau de saúde; com o dever profissional cumprido e vendo pulular alegres e felizes rebentos desta minha origem.

PENSAMENTOS
“Bela é quem o belo faz" - Gândi

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

QUE PAÍS É ESTE?

A pergunta, até então, sem resposta e que não quer calar por causa destas e outra. Do Blog de Nassif, extraÍ o texto abaixo, de autoria do jornalista Leandro Fortes, onde se registra que o advogado Alberto Piovesan que é autor do pedido de impeachment do Ministro Gilmar Dantas do STF (estranha e rapidamente arquivado no Senado Federal), fora inquirido pela Polícia Federal, sem razões aparentemente justificáveis, sobre “suas atividades particulares... e dizer quais os motivos o levaram a fazer o pedido no Senado Federal...”
A Polícia Federal que, nos últimos tempos tem-se mostrado tão eficiente e imparcial no cumprimento das suas obrigações constitucionais, teria que justificar as razões legais para submeter o cidadão (além de advogado) ao constrangimento de inquirição policial.
Mas, lembremos do caso do ínclito Delegado Protógenes, que de investigador policial legal, virou investigado.     


Enviado por luisnassif, qui, 20/10/2011 - 07:30
Atenção defensores da liberdade de expressão da mídia tupiniquim.
Ontem, dia 18/10, o advogado Alberto Piovesan, de Vitória (ES), autor do pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convocado pela Polícia Federal para dar explicações! Isso mesmo que vocês leram. Piovesan entrou em contato comigo hj para dizer que, na delegacia, foi inquirido sobre suas atividades particulares e ...dizer quais motivos o levaram a fazer o pedido no Senado Federal (aliás, sumariamente arquivado pelo senador José Sarney, amigo de Mendes). Me relatou o advogado: "Isto é, a meu ver, patrulhamento e investigação de pessoa, não permitido pela legislação vigente. Pareceu-me que se pretendeu mostrar que foi ousadia ter exercido direitos de cidadão assegurados pela Constituição, pedindo apuração de notícias sobre um ministro. Por este fato, passei a ser o investigado pela Polícia Federal, sem ter praticado ilícito apurável por esta, ou congênere, consistente isto ainda em, a meu ver, velada intimidação aos que porventura pensem em semelhante iniciativa, e ainda a utilização indevida de órgão público federal". O delegado federal que o ouviu se chama ADRIANO DIAS TEIXEIRA AMORIM DO VALLE e o depoimento atendeu a Carta Precatória 0196/2011-SR/DPF/ES - IPL 1759/2011-4 - SR/DPF/DF.